Cientistas alertam que ecossistemas marinhos no Golfo do México ainda não se recuperaram após desastre de 2010
Após 16 anos, efeitos do maior vazamento de petróleo da história continuam presentes no fundo do mar, indicando impacto duradouro na vida marítima.
Uma pesquisa recente revela que, mesmo após mais de uma década, a vida na região profunda do Golfo do México não voltou ao normal após o vazamento de petróleo de 2010. Cientistas identificaram uma queda drástica na abundância de espécies essenciais ao ecossistema, atribuindo o desastre à explosão da plataforma Deepwater Horizon.
Segundo estudo divulgado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, os efeitos do vazamento de petróleo da plataforma Deepwater Horizon, ocorrido em 2010, continuam sendo sentidos no fundo do mar da região do Golfo do México. A pesquisa, liderada pela oceanógrafa Tracey Sutton, da Nova Southeastern University, aponta que a biodiversidade na camada profunda do oceano ainda apresenta sinais de declínio grave, 16 anos após a tragédia.
De acordo com a investigação, os cientistas começaram a coletar amostras poucos meses após o acidente, em 2011, usando redes de arrasto para avaliar a quantidade de espécies que vivem na coluna de água mais profunda. Desde 2015 até 2023, a equipe retornou periodicamente ao local, aumentando a quantidade de amostras coletadas a mais de 2.000 redes. Os resultados, ainda não confirmados oficialmente por todas as fontes, indicam uma forte redução na quantidade de espécies como peixes, crustáceos e cefalópodes, que inclui lulas. Segundo Sutton, a diminuição foi de aproximadamente 63,5% para peixes, 62% para crustáceos e 59,7% para cefalópodes.
Entre os animais que mais sofreram caídas estão krill, com uma redução de quase 73%, lanternfishes (peixes luminiscentes) e Cyclothone bristlemouth, que perderam respectivamente 62,9% e 69% de suas populações. Essas espécies são consideradas fundamentais para o equilíbrio da cadeia alimentar no oceano aberto, atuando como principais presas para predadores maiores e contribuindo para o ciclo biogeoquímico do carbono na profundidade do Canadá. Muitas desses organismos fazem parte da chamada 'camada de dispersão profunda', que faz movimentos diurnos de subida e descida, funcionando quase como uma 'bomba biológica' que ajuda a sequestrar carbono, auxiliando na regulação do clima global.
Contudo, a destruição desse 'lago de organismos' pode estar causando efeitos visíveis na superfície. Algumas testemunhas afirmaram a alguns pesquisadores que têm observado a presença de baleias anorécticas, também conhecidas como 'baleias magras', e que até mesmo as grandes cachalotes parecem estar se comportando de forma errática enquanto buscam por alimento. Segundo Kevin Boswell, especialista em ciência marinha, "a mudança na comunidade de organismos que compõe a camada de dispersão profunda é significativa, e medir essas alterações nos dá uma ideia clara do impacto duradouro do vazamento".
Embora o estudo ainda não tenha sido confirmado oficialmente por todas as fontes, os autores do relatório consideram a hipótese de que o desastre ambiental provocou uma alteração irreversível na vida do oceano na região. Eles ressaltam que, na época do acidente, cerca de 770 mil galões de dispersante químico foram utilizados para dispersar o óleo, prática que pode ter agravado o dano ecológico, além do volume massivo de petróleo, estimado em 134 milhões de galões, que entrou na água ao longo de 87 dias de vazamento. A combinação desses fatores parece ser a causa mais provável para a crise contínua na biodiversidade do Golfo, uma avaliação ainda aguardando confirmação de outros estudos e especialistas.
Fontes
- ScienceAlert fonte especializada





