Economia

Empresas tradicionais ainda enfrentam dificuldades para incorporar risco climático às decisões de investimento

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Organização aponta que subestimação do risco pode afetar setores vulneráveis e o mercado financeiro

Campo agrícola com mudas de macamba ao lado de uma estação de análise climática
Imagem: Folha de S.Paulo

Segundo a Climate Ventures, empresas de setores tradicionais ainda têm dificuldades para incluir mudanças climáticas nas avaliações de risco, principalmente devido ao uso de dados históricos que não refletem a velocidade das transformações atuais.

Empresas de setores considerados tradicionais ainda encontram obstáculos para integrar o risco das mudanças climáticas às suas decisões de investimento e avaliação de ativos, segundo uma análise divulgada pela organização Climate Ventures. De acordo com a fonte, parte do problema está no uso de séries históricas de dados climáticos, que podem não captar a velocidade com que as mudanças ambientais têm ocorrido nos últimos anos.

Segundo Maria Eugênia Buosi, economista e diretora de projetos da Climate Ventures, os impactos do clima tendem a se manifestar de forma mais intensa com eventos como o El Niño, que aquece as águas do oceano Pacífico, agravando alterações nos padrões de chuva e temperatura em períodos relativamente curtos. Ainda de acordo com ela, quando as análises consideram períodos longos, de décadas, essas mudanças podem parecer menos relevantes, o que leva a subdimensionar os riscos.

A especialista destacou que a avaliação de risco precisa combinar os dados históricos com tendências futuras de comportamento climático, o que ainda não é uma prática amplamente adotada pelas empresas. Ela acrescentou que, embora essa dificuldade seja mais evidente em setores como agronegócio, energia e infraestrutura, ela também afeta empresas de outros segmentos e de serviços. A expectativa é que essa situação comece a mudar à medida que investidores e financiadores exigem mais informações sobre a exposição das empresas às mudanças climáticas.

Maria Eugênia Buosi afirmou que, apesar de a vulnerabilidade ser mais clara em setores mais expostos ao clima, a preocupação se estende a toda a cadeia econômica, reforçando a necessidade de atualização nas avaliações de risco para evitar impactos futuros mais severos. Ainda sem uma confirmação oficial, a entidade afirmou que a mudança no quadro depende também de maior conscientização e de uma reorganização na forma como os dados climáticos são utilizados pelas corporações.

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O que sabemos?

  • Empresas tradicionais enfrentam dificuldades para incorporar risco climático às decisões de investimento.
  • Uso de séries históricas de dados climáticos dificulta a avaliação real do risco.
  • Impactos se agravam com eventos como o El Niño, que aquece o oceano Pacífico.
  • Análises de longo prazo podem diluir a percepção de mudanças rápidas no clima.
  • Mudanças na abordagem de avaliação de risco dependem de exigências de investidores e financiadores.

Fontes

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