Exposição revela controvérsias históricas e culturais sobre a deusa Afrodite
Como a imagem da deusa grega se transformou em símbolo de erotismo, objetificação e debates artísticos
A exposição 'Aphrodite: The Making of a Goddess', em Oxford, investiga a origem mitológica e histórica de Afrodite, além de suas representações controversas na arte ao longo dos séculos.
Uma nova exposição no Museu Ashmolean, em Oxford, chama a atenção por abordar as controvérsias envolvendo a figura da deusa Afrodite, conhecida na mitologia grega como símbolo do amor, da beleza e da fertilidade. Intitulada 'Aphrodite: The Making of a Goddess', a mostra explora como essa divindade, cujo surgimento é narrado por duas versões distintas, acabou se tornando uma das figuras mais debatidas na história da arte, principalmente por sua representação como símbolo de erotismo e, por vezes, de objetificação feminina.
Segundo fontes que comentaram sobre a exposição, a história mitológica de Afrodite começa com o episódio em que Cronos, o titã pai de Zeus, castra seu próprio pai, Urano, lançando seus órgãos ao mar. Da espuma formada na superfície, surge a própria Afrodite, já adulta, que migra até a ilha de Chipre, onde, de acordo com a narrativa, flores efêmeras brotam sob seus passos. Essa origem mitológica, que remonta ao menos à Grécia antiga, revela uma divindade cuja essência estava relacionada à beleza, ao amor e à fertilidade, mais de uma função do que uma figura exclusivamente de erotismo.
Por outro lado, a origem histórica da deusa, ainda segundo a exposição, também aponta para uma ligação com Chipre, local onde ela teria surgido por volta de 1200 a.C. Os traços de Afrodite teriam evoluído de divindades do Oriente Médio, como Ishtar, Astarte e Hathor, cuja sexualidade, amor e fertilidade eram também suas principais características. A curadora da exposição, Anja Ulbrich, destacou que essas deusas arcaicas tinham múltiplas funções, e que a evolução da imagem de Afrodite ao longo da história não foi inicialmente marcada por controvérsias ou debates morais.
Porém, a percepção da deusa mudou ao longo dos séculos, especialmente na cultura ocidental. Em 1880, o escritor norte-americano Mark Twain criticou a pintura 'Vênus de Urbino', de Ticiano, descrevendo-a como “a pintura mais repugnante, vil e obscena que o mundo possui”, rompendo com uma tradição de apreciação artística. Mais tarde, em 1914, a sufragista Mary Richardson atacou com um cutelo a obra 'Vênus ao espelho', de Diego Velázquez, na Galeria Nacional de Londres, alegando que a forma como os homens ficavam admirando a nudez provocou sua reação de revolta. Richardson teria dito que “não gostava do jeito como os visitantes homens ficavam olhando para ela o dia todo”. Essas ações marcaram momentos emblemáticos de como a nudez e a representação de Afrodite e suas versões artísticas passaram a ser objeto de debates sobre moralidade, olhares masculinos e objetificação feminina.
A exposição busca entender como tais percepções influenciaram a cultura e a arte ao longo do tempo, transformando a figura de uma deidade antiga em símbolo de erotismo e controvérsia. Ainda não há confirmação de que a mostra tenha modificado opiniões públicas ou acadêmicas, mas ela reforça a complexidade do debate sobre beleza, história e moralidade na cultura ocidental. O próprio tema de Afrodite, sua origem e sua transformação ao longo de séculos parecem refletir as mudanças sociais e morais que ocorrem na sociedade, num ciclo de evolução de símbolos e valores.
O que sabemos?
- A exposição 'Aphrodite: The Making of a Goddess' está no Museu Ashmolean, em Oxford.
- Ela investiga a origem mitológica e histórica de Afrodite.
- Reconhece a evolução da imagem da deusa de símbolo de beleza para símbolo de erotismo e controvérsia.
- Histórico: Afrodite surge na mitologia após a espuma do mar, com origem no episódio envolvendo Cronos e Urano.
- Representações artísticas da deusa provocam debates desde o século XIX, com exemplos como as obras de Ticiano e Velázquez.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada
- BBC News Brasil imprensa





