Curiosidades

Comunidade furry de Campinas busca formas de expressão com fantasias de até R$ 60 mil

Em apuração ?

Integrantes da comunidade criam personagens antropomorfos para se expressar, enfrentando, às vezes, preconceito

Pessoa fantasiada de personagem furry com traje elaborado, em encontro na cidade de Campinas
Imagem: G1

Na região de Campinas, membros do movimento furry criam personagens com fantasias artesanais que podem custar até R$ 60 mil. O movimento, que chegou ao Brasil nos anos 2000, permite diferentes formas de expressão e ajuda a lidar com emoções, mas também encontra resistência social.

Na cidade de Campinas, interior de São Paulo, integrantes de uma comunidade pouco convencional estão investindo alto na criação de personagens antropomorfos, conhecidos como fursonas, que representam animais com características humanas. Segundo informações de uma fonte que mantém contato com o grupo, algumas fantasias artesanais — chamadas de fursuits — chegam a custar até R$ 60 mil, um valor bastante expressivo comparado aos preços no mercado brasileiro, que variam de R$ 1 mil a R$ 20 mil.

O movimento furry, que tem suas origens nos Estados Unidos entre as décadas de 1970 e 1980, surgiu inicialmente entre fãs de ficção científica e RPG. Nos anos 2000, com o advento da internet, including fóruns e blogs, essa subcultura ganhou espaço no Brasil, especialmente entre jovens que buscam novas formas de expressão e autoconhecimento. Os participantes criam e interpretam personagens, denominados fursonas, que funcionam como uma espécie de alter ego, ajudando-os a explorar diferentes personalidades e lidar com emoções, como relata uma integrante da comunidade em Campinas.

Não é necessário usar uma fursona ou uma fursuit para participar do movimento; muitos criam desenhos dessas personagens ou apenas os interpretam em encontros públicos ou online. A própria integrante explica que a fursona pode simbolizar uma máscara social divergente daquela que a pessoa usa na rotina. “É uma desculpa para sair do seu personagem pessoa, da sua máscara social, e experimentar talvez outras máscaras sociais, outras personalidades que, até então, você não estava livre para explorar”, disse ela ao g1.

Porém, quem vive essa experiência acaba enfrentando resistência, mesmo dentro de seus círculos mais próximos. Segundo relatos, há casos de preconceito e estranhamento na família, em grupos religiosos e até na internet, o que revela que, apesar de a comunidade crescer e se diversificar, ainda há dificuldades na aceitação social. O termo 'furry', que significa 'peludo' em inglês, refere-se a pessoas que interpretam personagens com características humanas, como falar e andar com duas pernas, que podem representar animais, criaturas mitológicas ou até alienígenas. Essas personagens são criadas por cada indivíduo e podem ou não fazer parte de produções já existentes.

Apesar de as fursonas poderem ser representadas por fantasias, muitas pessoas escolhem não adquirir as fursuits devido ao alto custo ou preferência pessoal. Para alguns, a criação artística, o desenho ou a simples interpretação na internet já são suficientes para alcançar o propósito de expressão ou diversão. Como explica a entrevistada, a sua própria personagem é mais uma construção artística do que uma fantasia física, funcionando como um alter ego e uma ferramenta de autodescoberta.

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O que sabemos?

  • Fantasias artesanais de fursuits no Brasil podem custar até R$ 60 mil.
  • O movimento furry começou nos EUA entre os anos 1970 e 1980, chegando ao Brasil nos anos 2000.
  • Na comunidade de Campinas, participantes usam fursonas para explorar diferentes formas de expressão e autoconhecimento.
  • Quem participa do movimento muitas vezes enfrenta preconceito social e familiar.
  • Fursonas podem ser criadas por desenhos, interpretações online e, opcionalmente, usando fantasias físicas.

Fontes

  • G1 imprensa
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