Especialista explica por que os recentes terremotos não indicam aumento da atividade sísmica mundial
Movimentos das placas tectônicas continuam dentro do esperado, dizem geólogos
Embora vários terremotos de alta magnitude tenham sido registrados recentemente em diferentes regiões do mundo, especialistas afirmam que esses eventos fazem parte da normalidade da atividade tectônica e não representam um aumento no risco global.
Nos últimos meses, diversas regiões do planeta têm registrado terremotos de alta magnitude, despertando preocupações e dúvidas sobre uma possível intensificação da atividade sísmica global. Segundo o sismólogo José Alexandre Nogueira, do Centro de Sismologia da USP, esses eventos recentes, embora chamem atenção, estão dentro do esperado para o padrão técnico de movimentação das placas tectônicas. "Os terremotos de alta magnitude ocorrem, em média, 14 vezes por ano, e o número pode variar. Este ano, já contamos cerca de 11, o que, apesar de um pouco acima da média, ainda é uma ocorrência dentro do normal", explicou. Ainda segundo Nogueira, as placas tectônicas se movimentam lentamente, apenas alguns centímetros por ano, mas essa lentidão não impede que provoquem registros de tremores de grande intensidade, especialmente nas zonas de contato ou de deslocamento lateral entre elas.
A atividade sísmica é influenciada pelos três movimentos básicos das placas, que ajudam a compreender a origem dos terremotos em diferentes regiões. Esses movimentos são: o de encontro, quando as placas colidem; o de subducção, quando uma placa mais densa passa por baixo da outra; e o de deslocamento lateral, em que as placas deslizam lateralmente uma contra a outra. Nogueira explicou que, na Colômbia, por exemplo, a interação entre a placa de Nazca e a Sul-Americana ocorre via subducção, o que gerou terremotos de maior profundidade, enquanto na Venezuela, o movimento predominante é o de deslizamento horizontal, com tremores mais superficiais.
Por outro lado, o especialista destacou que nem todos os terremotos estão associados às bordas das placas. Existem regiões chamadas de zonas intraplacas, que podem gerar tremores mesmo longe dos limites onde as placas se encontram. No Brasil, por exemplo, embora o país esteja distante das principais zonas de movimentação, há registros de terremotos que também têm origem nesses movimentos internos, embora com menor frequência e intensidade. Segundo Nogueira, "não há evidências que indiquem uma tendência de aumento na atividade sísmica global, apenas uma coincidência de eventos em certas regiões."
Ele reforça que a ocorrência de terremotos de magnitude superior a 7 é relativamente comum e que, mesmo com alguns eventos recentes, não há motivo para alarde sobre um aumento na frequência geral desses fenômenos. É importante destacar que a gravidade dos danos causados por um terremoto depende de fatores como profundidade, proximidade de áreas habitadas e resistência das construções. Assim, nem toda sequência de tremores implica em risco maior ou desastre iminente, sendo necessário avaliar cada caso com cautela e base científica.
O que sabemos?
- Recentes terremotos de alta magnitude não indicam aumento da atividade sísmica global.
- Movimentos das placas tectônicas incluem encontro, subducção e deslocamento lateral.
- A frequência de terremotos de magnitude superior a 7 é, em média, 14 por ano.
- Eventos podem ocorrer tanto nas bordas das placas quanto em zonas intraplacas.
- Ainda não há evidências confirmadas de aumento nas sequências sísmicas globais.
Fontes
- Jornal da USP fonte oficial



