Ciência

Pesquisadoras que marcaram a Unicamp motivam criação de regras para doutorado póstumo

Em apuração ?

Casos de mortes de uma pesquisadora e de sua orientadora levaram a mudanças na regulamentação universitária

Reunião na Casa do Lago da Unicamp para defesa de tese póstuma
Imagem: G1

A morte de duas pesquisadoras da Unicamp, ocorridas com poucos meses de diferença, resultou na implantação de novas normas para a defesa de teses póstumas na instituição.

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) implementou regras inéditas para a defesa de teses de doutorado postumamente, após o falecimento de duas das suas pesquisadoras que atuaram na mesma orientação, o que também ficou marcado como uma particularidade histórica na instituição. Segundo informações de uma fonte da universidade, essa mudança foi motivada pelos falecimentos de Carla Vendramin e Silvia Geraldi, ocorridos em 2024 e 2025, respectivamente, e que tiveram grande impacto na comunidade acadêmica.

Segundo a pró-reitora de pós-graduação da Unicamp, a professora Cláudia Vianna Maurer-Morelli, o caso de Vendramin, que morreu em janeiro de 2024 em Porto Alegre, aos 51 anos, causada por um incêndio, foi um dos catalisadores dessa discussão. Ainda de acordo com ela, pouco antes de sua morte, Carla tinha concluído a sua tese intitulada "Compostagem como prática performativa: processos imersivos em dança e permacultura" e a havia protocolado no sistema da universidade, mesmo sem uma regulamentação específica para defesas póstumas na época. A partir disso, a universidade passou a discutir institucionalmente a possibilidade de realizar defesa de teses após o falecimento do estudante, o que levou à criação de uma norma que passaria a prever esse procedimento.

Mais tarde, em julho de 2025, a orientadora de Carla, Silvia Geraldi, morreu por uma doença congênita aos 61 anos, na cidade de Campinas. A sua morte trouxe novo impulso ao aperfeiçoamento das regras, levando a universidade a estabelecer critérios para quando tanto o aluno quanto o orientador falecem, colocando um terceiro responsáveis por apresentar a tese, uma modificação importante que valorizasse a continuidade do trabalho acadêmico mesmo em circunstâncias extremas. Segundo Maurer-Morelli, "o caráter singular desse caso decorre tanto de ele estar na origem da regulamentação da defesa póstuma na universidade quanto do falecimento posterior da própria orientadora".

O processo de defesa do trabalho de Carla Vendramin e Silvia Geraldi foi realizado em 24 de agosto de 2026, na Casa do Lago do Instituto de Artes da Unicamp, após a professora Marisa Martins Lambert assumir a continuidade do procedimento. Segundo a mesma fonte, a realização dessa defesa foi marcada por uma audiência que reuniu colegas, amigos e familiares das pesquisadoras, simbolizando um momento de reconhecimento pelo esforço acadêmico mesmo após a morte das autoras. Ainda não há confirmação oficial se esse procedimento será adotado em outros casos, ou se outras universidades copiarão essa iniciativa pioneira da Unicamp.

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O que sabemos?

  • A morte de uma pesquisadora da Unicamp motivou a criação de regras para doutorado póstumo na instituição.
  • A primeira pesquisadora morreu em janeiro de 2024, pouco após protocolar sua tese.
  • A orientadora da pesquisadora faleceu em julho de 2025, levando à revisão das regras existentes.
  • A defesa póstuma foi realizada em agosto de 2026, com a participação de uma terceira pessoa responsável por apresentar a tese.

Fontes

  • G1 imprensa
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