Um estudo internacional sugere que a análise de ondas cerebrais durante o estado de vigília pode ajudar no diagnóstico precoce do Alzheimer, ainda antes de surgirem sintomas clínicos.
Um estudo recente publicado no Jornal da Associação de Alzheimer trouxe uma possível ferramenta para o diagnóstico precoce do Alzheimer, uma das doenças neurodegenerativas mais comuns entre idosos. Segundo os pesquisadores, ondas cerebrais lentas registradas em exames de EEG — que mede a atividade elétrica do cérebro — podem servir como biomarcadores para identificar os estágios iniciais da doença, antes mesmo do aparecimento de sintomas de declínio cognitivo.
A pesquisa, conduzida por um grupo de cientistas do Instituto do Cérebro de Paris, Universidade Sorbonne, Hospital Pitié-Salpêtrière e do Instituto da Memória e da Doença de Alzheimer, analisou 314 idosos com idades entre 70 e 85 anos. Durante dois anos, esses participantes tiveram suas memórias avaliadas e também foram submetidos a exames de imagem, incluindo PET scans que detectam depósitos de amiloide e sinais de neurodegeneração, dois marcadores biológicos associados ao Alzheimer.
O destaque da pesquisa foi a observação das ondas lentas de vigília, ou wSW, que são oscilações de baixa frequência semelhantes às ondas que aparecem durante o sono. Segundo a fonte, 'as ondas lentas de vigília surgem no EEG enquanto a pessoa ainda está acordada, e sua presença foi associada com o depósito de proteína amiloide e com a neurodegeneração', sinais estes que podem indicar o início do processo patológico mesmo na ausência de sintomas claros. Essa descoberta sugere que um exame de EEG rápido — cerca de dois minutos — pode vir a ser útil como método de triagem, ajudando a identificar idosos em risco de desenvolver Alzheimer em seus estágios preliminares.
Ainda não há confirmação se essa técnica será amplamente adotada na rotina clínica, mas a possibilidade de um exame não invasivo e de rápida realização representa um avanço na busca por diagnósticos mais precoces. A relevância do estudo se dá pelo fato de que, atualmente, o diagnóstico mais comum é feito quando os sintomas já estão bem estabelecidos, dificultando intervenções mais eficazes. Segundo a fonte, essa pesquisa abre caminhos para métodos mais acessíveis de identificação precoce e pode contribuir para que tratamentos sejam iniciados mais cedo, potencialmente melhorando a qualidade de vida dos pacientes.
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O que sabemos?
✓Estudo associa ondas lentas na vigília com sinais iniciais de Alzheimer.
✓Exame de EEG de cerca de 2 minutos pode auxiliar no diagnóstico precoce.
✓Pesquisadores analisaram 314 idosos entre 70 e 85 anos durante 2 anos.
✓Exames de imagem PET confirmam presença de amiloide e neurodegeneração.
✓Ainda não há confirmação oficial de implementação clínica dessa técnica.