Ciência

Estudo da NASA aponta mudança no padrão de derretimento do gelo no Ártico

Em apuração ?

Após décadas de aumento, temporada de derretimento parou de crescer, mas especialistas alertam para possíveis novas fases de perda de gelo.

Imagem do gelo no Ártico visto do satélite
Imagem: Olhar Digital

Pesquisa da NASA revela que a duração do derretimento do gelo no Ártico estabilizou após anos de aumento. Cientistas explicam as mudanças e o risco de uma nova fase de acelerada perda de gelo.

Um estudo realizado pela NASA trouxe uma novidade que intriga o mundo científico: a temporada de derretimento do gelo no Ártico, que vinha se estendendo há décadas, deixou de aumentar após um período de crescimento contínuo. Por meio de análise de dados satelitários, os pesquisadores observaram que, enquanto a duração do derretimento atualmente dura cerca de 40 dias a mais do que em 1979, essa expansão estabilizou após 2010, permanecendo relativamente fixa de lá pra cá, embora com oscilações anuais significativas.

Segundo a fonte, as mudanças na temporada — que começa na primavera, com o início do derretimento, e termina no outono, com o congelamento — ocorreram principalmente por causa do adiamento do congelamento no outono. Isso significa que o gelo perde paulista sua capacidade de voltar a se formar rapidamente, o que também aponta para uma menor quantidade de gelo mais espesso, conhecido como gelo plurianual, que resistia ao calor do verão. Como explica Linette Boisvert, cientista do Centro de Voos Espaciais Goddard, da NASA, a diminuição dessa camada mais resistente mudou a dinâmica da cobertura de gelo na região.

Apesar dessa aparente pausa na expansão da temporada de derretimento, os especialistas ressaltam que isso não significa um alívio no aquecimento do Ártico. A região continua aquecendo quase quatro vezes mais rápido que o restante do planeta, e o gelo remanescente é consideravelmente mais fino do que décadas atrás. Essa mudança na configuração indica que os padrões climáticos anuais podem estar influenciando a duração do derretimento de forma mais forte do que antes, possivelmente sinalizando uma nova fase na dinâmica do gelo ártico.

De acordo com os autores do estudo, ainda não é possível determinar se essa estabilização é um fenômeno temporário ou se representa uma mudança duradoura nas tendências do clima na região. Há também a preocupação de que, caso o gelo mais espesso continue a ficar mais fino, uma nova fase de perda acelerada possa ser desencadeada, prolongando novamente a duração do derretimento. Para isso, eles destacam a importância de manter as observações satelitais, que são cruciais para monitorar o balanço energético do gelo, apontando para uma necessidade contínua de estudos e cautela em relação às mudanças climáticas que afetam o Ártico.

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O que sabemos?

  • A temporada de derretimento no Ártico durou cerca de 40 dias a mais em comparação com 1979.
  • O aumento na duração da temporada estabilizou após 2010, com oscilações anuais.
  • Mudança ocorreu principalmente pelo atraso no início do congelamento no outono, não por antecipação do derretimento na primavera.
  • O gelo restante é mais fino e menos resistente, indicando mudanças na estabilidade do gelo plurianual.

Fontes

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