Ciência

Estudo brasileiro revela como genética pode antecipar gravidade da depressão em jovens

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Ferramenta de mapeamento genético indica risco e evolução dos sintomas entre crianças e jovens de São Paulo e Porto Alegre

Pesquisa conduzida pelo Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental acompanha mais de 2 mil crianças e jovens entre 6 e 23 anos e identifica que pontuação genética elevada está relacionada a agravamento rápido dos sintomas depressivos e maior risco de autolesão não suicida.

Um estudo recente realizado com mais de 2 mil crianças e jovens das cidades de São Paulo e Porto Alegre revelou que uma ferramenta de mapeamento genético pode antecipar o risco e a gravidade da depressão desde a infância até o início da vida adulta. Segundo o pesquisador líder do grupo do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), o objetivo da pesquisa foi investigar “se o risco genético para depressão apenas define um ponto de partida para o surgimento do transtorno ou se também molda a forma como os sintomas evoluem à medida que um jovem cresce”.

O trabalho acompanhou participantes entre 6 e 23 anos, identificando que aqueles com pontuações genéticas mais elevadas no escore poligênico para depressão tendem a apresentar um agravamento dos sintomas em ritmo mais acelerado ao longo dos anos. Além disso, para os jovens já diagnosticados com transtorno depressivo maior (TDM), a pesquisa constatou uma suscetibilidade maior à autolesão não suicida, que corresponde ao ato de causar danos voluntários ao próprio corpo — como cortes, queimaduras, arranhões ou pancadas — sem intenção de provocar a morte.

Publicados em julho na revista especializada Biological Psychiatry, os resultados destacam a utilidade dessa ferramenta preditiva em uma população altamente miscigenada, como a brasileira. Essa constatação representa um avanço significativo, visto que a maioria dos estudos sobre risco poligênico antes se concentrava em pessoas de ancestralidade europeia, o que limitava a precisão dessas análises em contextos genéticos mais heterogêneos.

Assim, o trabalho do CISM e sua equipe, enfatizado pela Agência FAPESP, reforça que o mapeamento genético pode não apenas indicar quem tem maior risco de desenvolver depressão, mas também auxiliar no acompanhamento e na gestão clínica da evolução dos sintomas, potencialmente contribuindo para intervenções mais eficazes desde os primeiros sinais da doença.

Compreender como o código genético influencia o desenvolvimento e a gravidade da depressão durante a infância e juventude é uma fratura essencial para o avanço da psiquiatria preventiva e da atenção em saúde mental no Brasil, especialmente quando a diversidade genética da população é levada em conta.

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O que sabemos?

  • Ferramenta genética pode antecipar risco e gravidade da depressão em jovens brasileiros.
  • Estudo acompanhou mais de 2 mil indivíduos entre 6 e 23 anos em São Paulo e Porto Alegre.
  • Pontuação genética elevada está associada a agravos rápidos dos sintomas e maior risco de autolesão não suicida.
  • Pesquisa publicada em julho na revista Biological Psychiatry.

O que ainda não foi confirmado?

  • Informação divulgada apenas por Agência FAPESP; aguardando outras fontes.

Fontes

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