Ciência

Estudo detecta cocaína em rios do Rio de Janeiro e preocupa especialistas

Em apuração ?

Presença da droga nas águas pode afetar o meio ambiente e a saúde pública, aponta pesquisa da Fiocruz

Imagem ilustrativa de rios na região metropolitana do Rio de Janeiro com foco na questão da poluição.
Imagem: CNN Brasil

Monitoramento revela contaminação significativa de rios na capital e região metropolitana, com possíveis impactos para organismos aquáticos e saúde humana. Pesquisa liderada por cientistas da Fiocruz traz dados inéditos e alarmantes.

Um estudo realizado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) trouxe à tona uma preocupação cada vez maior com a qualidade das águas na região metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo informações divulgadas na última quarta-feira (7) por fontes da própria instituição, análises feitas em amostras coletadas ao longo de um ano revelaram a presença de cocaína e seu principal derivado, a benzoilecgonina, em cinco rios que deságuam na Baía de Guanabara. Os rios estudados foram Irajá, Carioca, os canais do Cunha e do Mangue na capital, e o Rio Meriti em Duque de Caxias. Todos esses cursos d’água estão conectados na maior bacia hidrográfica da região, que inclui mais de 40 ilhas na Baía. Segundo os pesquisadores, as 60 amostras coletadas durante 2022 e 2023 apresentaram resultados preocupantes. Com exceção de uma única amostra, todas indicaram a presença de benzoilecgonina, cuja concentração foi na maioria das vezes superior à quantidade de cocaína detectada na água. Ainda de acordo com o estudo, esses níveis de contaminação superam os encontrados em estudos similares feitos na Europa e nos Estados Unidos, o que reforça a dimensão do problema. As análises também apontaram que a maior incidência de drogas na água ocorreu na estação chuvosa, de outubro a março, com um pico especial em janeiro, mês de férias e festas. O impacto para o meio ambiente também foi avaliado. Cientistas laboratoriais expuseram embriões de zebrafish, uma espécie de peixe comum em estudos ambientais, às substâncias encontradas na água. Os resultados indicaram mortes, deformações e alterações cardiovasculares e neurológicas nos organismos, o que evidencia o potencial tóxico da contaminação para a fauna aquática. Ainda não há confirmação se a presença da cocaína nas águas pode afetar diretamente a saúde humana, embora a presença de drogas em rios usados por populações locais desperte preocupações quanto à exposição indireta. O estudo, coordenado pelo pesquisador Enrico Saggioro e desenvolvido a partir da tese de doutorado de Gabriel de Farias Araujo, ainda está em andamento, ampliando a análise para outros 13 rios da cidade, com previsão de conclusão para o primeiro semestre de 2027. A pesquisa foi publicada na revista científica internacional Aquatic Toxicology e reforça a necessidade de atenção às questões ambientais ligadas ao tráfico de drogas e ao uso de substâncias químicas na região. Apesar de ainda não ter sido confirmada oficialmente qualquer impacto na saúde pública direta, o levantamento levanta alertas sobre o potencial de contaminação e os efeitos nocivos para os ecossistemas aquáticos.
Publicidade

O que sabemos?

  • Pesquisa da Fiocruz detectou cocaína em rios do Rio de Janeiro.
  • Foram coletadas mais de 60 amostras entre 2022 e 2023.
  • Todos os rios analisados apresentaram presença de benzoilecgonina, derivado da droga.
  • A maior concentração foi encontrada na estação chuvosa, especialmente em janeiro.
  • Estudos com zebrafish indicam efeitos tóxicos e deformações causadas pelas sustancias presentes nas águas.

Fontes

Publicidade