Entenda como veículos elétricos podem causar mais enjoo e o que a ciência diz sobre isso
Física e biologia se unem para explicar o fenômeno que pode estar presente nas próximas questões do vestibular da Unicamp
Especialistas explicam que o aumento na aceleração rápida de carros elétricos, aliado à resposta do corpo humano à movimentação, pode influenciar no bem-estar dos passageiros. Essa relação será abordada na prova de 2027 da Unicamp.
Nos últimos anos, o uso de carros elétricos vem crescendo rapidamente, trazendo benefícios como menor emissão de poluentes e maior eficiência energética. No entanto, um fenômeno curioso tem chamado atenção: algumas pessoas relatam sentir mais enjoo ao dirigir ou viajar nesses veículos, especialmente devido às acelerações rápidas e ao baixo nível de ruído e vibração. Segundo especialistas ouvidos por uma reportagem do G1, esse aspecto pode ser explorado na prova do vestibular 2027 da Unicamp, que abordará a relação entre física, biologia e o bem-estar dos ocupantes desses carros.
A explicação científica envolve conceitos de física, como o princípio da inércia e o movimento uniformemente variado (MUV). O professor de física da Oficina do Estudante, Rodrigo Araújo, explica que o motor elétrico consegue entregar força instantaneamente ao eixo do veículo, resultando em torques maiores e acelerações mais abruptas. “O corpo humano tende a permanecer no estado de movimento em que estiver, e mudanças rápidas nesse estado, como estas acelerações, ativam o princípio da inércia, provocando o desconforto ou até enjoo.”
Para compreender a origem do mal-estar, também é importante entender como o sistema vestibular—responsável pelo equilíbrio e percepções de movimento— reage às mudanças repentinas de velocidade. Estudos de fisiologia mostram que tontura, náusea e outros sintomas de cinetose surgem quando o cérebro recebe informações conflitantes do corpo, especialmente nas acelerações rápidas, como as proporcionadas por veículos elétricos. Ainda não há confirmação oficial de que o aumento na incidência de enjoo seja exclusivo ou mais intenso nesses veículos, mas a relação entre a física do movimento e a biologia do corpo é clara para os especialistas.
Outro conceito importante, citado pelo professor Gleb Wataghin, do Instituto de Física Gleb Wataghin, é a frenagem regenerativa—uma tecnologia presente nos carros elétricos que transforma energia cinética, gerada durante a desaceleração, em energia elétrica para recarregar a bateria. Segundo ele, esse sistema não só aumenta a autonomia do veículo em trajetos descerraidos, como também reforça a interação entre conceitos de transformação e conservação de energia, que podem ser abordados nas questões de física do vestibular.
Assim, embora o efeito de enjoo não seja exclusivo dos carros elétricos, sua maior capacidade de acelerar rapidamente e a forma como o sistema de frenagem funciona são fatores que podem potencialmente aumentar esse desconforto em indivíduos suscetíveis. Ainda aguardam confirmações de outras fontes, mas o tema promete dar o que falar na próxima edição do vestibular da Unicamp, que acontece em 18 de outubro, dia marcado para a primeira fase. Afinal, entender a fusão entre física e biologia no contexto da mobilidade elétrica é importante não só para o exame, mas também para refletir sobre o impacto dessa tecnologia na saúde e no bem-estar dos motoristas e passageiros.
O que sabemos?
- Carros elétricos entregam força mais rápido que veículos a combustão, devido ao torque instantâneo.
- A aceleração rápida pode desencadear enjoo em passageiros suscetíveis, por ativação do princípio da inércia.
- Frenagem regenerativa transforma energia cinética em elétrica, carregando a bateria.
- O fenômeno do enjoo relaciona-se à reação do sistema vestibular às mudanças rápidas de movimento.
Fontes
- G1 imprensa





