Misterioso túmulo com 'antenas' no Saara Ocidental é datado de mais de 4 mil anos
Estrutura megalítica de cerca de 54 metros traz novo entendimento sobre os monumentos antigos da região
Um túmulo com duas longas fileiras de pedras, semelhantes a antenas, foi datado em um período que vai de 4.417 a 4.100 anos atrás. Sua descoberta acende discussões sobre as culturas pré-históricas no Saara Ocidental.
Uma descoberta arqueológica no norte do Saara Ocidental tem despertado curiosidade entre pesquisadores e entusiastas da história antiga. Trata-se de um monumento de pedra, conhecido como 'túmulo de antenas', cuja datação aponta que foi construído há mais de quatro mil anos, precisamente entre 4.417 e 4.100 anos atrás, segundo informações de uma fonte que detalhou o estudo publicado na revista The African Archaeological Review.
Localizado na proximidade de Wadi Lawash el Telli, uma área marcada por arte rupestre e um vasto sítio de rochas gravadas, o monumento se estende por aproximadamente 54,5 metros, situado numa planície de cascalho a cerca de 600 metros de altitude, uma região extremamente árida onde a presença humana é esporádica e ligada às chuvas esparsas. A estrutura consiste em um monte de lajes de calcário encaixadas sem argamassa, formando uma espécie de cabeceira de onde se estendem duas fileiras de pedras paralelas com orientação de 102 graus em relação ao norte, padrão comum em monumentos similares na região.
Segundo pesquisadores da Universidade de Girona, a construção foi provavelmente feita por um grupo pequeno, dada a quantidade de blocos de menos de um metro de comprimento utilizados na sua edificação. A escavação ocorreu entre 5 e 8 de abril de 2018, quando a equipe decidiu abrir metade do monumento devido ao isolamento do local e aos ventos fortes, preservando a outra metade intacta. Sob as lajes externas, os arqueólogos encontraram um sepultamento de um indivíduo de idade estimada entre 25 e 35 anos na hora da morte, deitado de costas com a cabeça virada para o sul e pernas dobradas na direção oeste. O esqueleto estava fragmentado, dificultando a determinação do sexo, mas foi possível observar sinais de trabalhos manuais repetitivos por meio do crescimento ósseo em uma das falanges.
Como parte do sepultamento, foram recuperadas quatro contas feitas de casca de ovo de avestruz, artefatos típicos do Saara Atlântico, embora sem claros indícios de pertencimento a uma cultura específica. A análise do sedimento revelou a presença de dois grãos de pólen de pinheiro, quantidade considerada insuficiente para uma reconstrução precisa da vegetação antiga na região. Além disso, a ausência de colágeno nos ossos dificultou a realização de alguns testes de datação, o que levou a uma prolongada investigação que ainda não foi oficialmente concluída. A estrutura, chamativa por sua forma e tamanho, representa uma contribuição importante para o entendimento dos monumentos megalíticos da área, que até então eram pouco escavados e pouco datados.
Apesar de reveladas algumas informações, fontes indicam que ainda há dúvidas e que novas pesquisas podem fornecer detalhes adicionais sobre quem construiu o monumento, qual era sua função exata e qual o significado simbólico das 'antenas'. A própria origem da sepultura e os objetos encontrados ainda não possuem confirmação definitiva sobre suas origens culturais, surpreendendo especialistas que estudam a pré-história do Saara. O silêncio oficial sobre o tema por parte das autoridades locais ainda não foi divulgado, aguardando, talvez, novos estudos ou confirmações de outros especialistas.
O que sabemos?
- Datação do túmulo entre 4.417 e 4.100 anos atrás
- Estrutura localizada próximo a Wadi Lawash el Telli no Saara Ocidental
- Sepultamento de um jovem de 25 a 35 anos sem evidência de cova escavada
- Construção com blocos de calcário encaixados sem argamassa
- Artefatos encontrados incluem contas de casca de ovo de avestruz
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada





