Super El Niño atinge níveis recordes e deve se intensificar até dezembro, podendo ser um dos mais fortes desde 1950
Fenômeno climático registrado pela Organização Meteorológica Mundial deve se manter até fevereiro de 2027, com impactos globais destacados em previsão recente
A Organização Meteorológica Mundial divulgou que o evento El Niño, que provoca aumento das temperaturas do oceano Pacífico, está se fortalecendo rapidamente, podendo chegar ao seu pico em dezembro de 2026 e permanecendo até fevereiro de 2027. Especialistas alertam que a intensidade sem precedentes pode trazer eventos meteorológicos extremos ao redor do mundo.
Segundo informações da Organização Meteorológica Mundial (OMM), o Super El Niño que atualmente se forma no Pacífico está atingindo recordes históricos de aquecimento e deve se intensificar ainda mais até o final de 2026, possivelmente sendo um dos mais fortes observados desde ao menos 1950. A previsão aponta que o fenômeno deve evoluir ao longo de outubro e novembro, atingindo seu ponto máximo em dezembro, com a expectativa de permanecer ativo até pelo menos fevereiro de 2027, quase que com total certeza, de acordo com a entidade.
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aumento das temperaturas da superfície do mar na região central e oriental do Oceano Pacífico, próximo à linha do Equador. Embora não gere calor novo, ele libera a energia já armazenada nos oceanos, o que pode influenciar o clima global, elevando as temperaturas médias do planeta e alterando os padrões de chuvas em várias regiões. Segundo a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, o fenômeno está estabelecido e crescendo rapidamente, com projeções próximas de 100% de que ele se mantenha até fevereiro de 2027, podendo figurar entre os mais intensos já registrados.
Dados da OMM mostram que a anomalia térmica da superfície do mar no Pacífico central e oriental chegou a 1,6 °C acima da média em junho de 2026 e subiu para 2,5 °C em agosto. A expectativa é que essa diferença alcance aproximadamente 3,7 °C entre outubro e dezembro, enquanto a agência meteorológica japonesa projeta temperaturas que podem chegar até 4 °C acima do normal. Essa velocidade de aquecimento chama atenção, pois indica um evento de intensidade extremamente forte, o que pode ter impactos profundos no clima mundial.
De acordo com Saulo, o aumento das temperaturas do oceano também evidencia que os oceanos estão mais quentes do que em qualquer outro momento registrado, o que deixa mais calor disponível para ser liberado ao longo do fenômeno. Essa combinação, aliados às mudanças climáticas, aumenta o potencial de eventos meteorológicos extremos, como ondas de calor, chuvas intensas e secas severas. Em 2026, por exemplo, o mês de agosto foi o mais quente globalmente já registrado, acompanhado de recordes na temperatura da superfície dos oceanos, o que reforça a influência do El Niño nesse cenário.
As previsões mais recentes indicam que o impacto do fenômeno poderá variar significativamente conforme as regiões do mundo. Espera-se maior incidência de chuvas intensas em áreas como o Chifre da África, partes da Ásia Central, o leste da Ásia, o norte da Península Arábica, além de uma faixa que vai do sul da América do Norte até cerca de 45° norte na América do Sul. Essas regiões deverão experimentar maior risco de enchentes e deslizamentos, enquanto outros locais, como o subcontinente indiano, o sul da América Central, partes do Caribe e o noroeste da América do Sul, podem sofrer com clima mais seco, favorecendo secas e incêndios florestais.
Embora ainda não tenham sido confirmados oficialmente outros detalhes, especialistas alertam que os efeitos mais extremos do El Niño ainda podem estar por vir, dependendo da evolução do fenômeno nas próximas semanas. Ainda assim, a magnitude atual dos dados reforça a preocupação com possíveis desastres ambientais e meteorológicos globais, reforçando a vulnerabilidade do planeta às mudanças climáticas e a eventos naturais de grande escala.
O que sabemos?
- O El Niño atual está se fortalecendo rapidamente, podendo chegar ao seu pico em dezembro.
- A anomalia de temperatura do oceano chegou a 2,5 °C em agosto, com projeções de até 4 °C.
- O fenômeno deve persistir até fevereiro de 2027 quase que com certeza, segundo a OMM.
- Augusto de 2026 foi o mês mais quente globalmente já registrado, com recorde na temperatura dos oceanos.
Fontes
- Olhar Digital fonte especializada





