Brasil

Setores aquaviário e logístico pressionam por dragagem do Tapajós em meio ao temor do El Niño

Em apuração ?

Ofício da Antaq cobra planos de contingência, mas empresas reclamam da negativa do governo para obras emergenciais

Rio Tapajós e barcaça em navegação
Imagem: Folha de S.Paulo

Empresas de transporte aquaviário e logística de grãos expressam preocupação com a falta de autorização para dragagem do rio Tapajós, medida vista como estratégica para enfrentar possíveis secas na Amazônia durante o ciclo 2026-2027, associado ao El Niño.

O setor de transporte aquaviário e logística que atua na região Norte do Brasil manifesta inquietação diante da perspectiva de uma seca intensa na Amazônia e do fenômeno climático conhecido como El Niño previsto para o ciclo 2026-2027. Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, essas empresas questionam decisões recentes da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e do governo federal, apontando entraves à realização de obras que poderiam amenizar os impactos do cenário.

No ofício encaminhado em 6 de agosto, o diretor-geral da Antaq, Frederico Dias, solicitou que portos, terminais e armadores da região Norte apresentem em até 30 dias planos para redução dos efeitos de eventos hidrológicos extremos. Contudo, representantes do setor reclamam que essa cobrança desloca para o segmento privado uma responsabilidade que poderia ser mitigada por obras públicas, especialmente a dragagem emergencial do rio Tapajós, medida considerada crucial para melhorar a navegabilidade durante períodos de baixa vazão.

De acordo com as manifestações apuradas em 23 de julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não teria autorizado o início imediato da dragagem, atendendo a lideranças indígenas que se posicionam contra qualquer intervenção na área do Tapajós. O plano sugerido envolveria o custeio da obra pela iniciativa privada, com o governo arcando apenas com a fiscalização. A negativa para o avanço da dragagem tem aumentado as preocupações do setor, que vê na obra uma forma de minimizar a necessidade de planos emergenciais para enfrentar o risco de seca.

Os setores de navegação, portos e escoamento de grãos enfatizam que a falta da dragagem pode agravar problemas logísticos já enfrentados e potencializar prejuízos econômicos, especialmente em um contexto marcado pela previsão do El Niño, fenômeno climático associado a alterações significativas no regime de chuvas e na disponibilidade hídrica da região amazônica. O timing da cobrança da Antaq para a apresentação dos planos, pouco mais de um mês após o pedido de dragagem, reforça o debate sobre a ausência de soluções estruturais consideradas urgentes pelo setor privado.

Até o momento, não há confirmação oficial de outras fontes além da Folha de S.Paulo sobre as tratativas envolvendo o governo, Antaq e a dragagem do Tapajós. O órgão regulador e o Palácio do Planalto não emitiram posicionamento público sobre o tema, deixando em aberto o andamento e a possibilidade de reavaliação das decisões. A tensão entre demandas ambientais e econômicas, somada ao risco climático iminente, coloca em evidência as dificuldades na defesa convergente da Amazônia e das cadeias produtivas que dependem da logística local.

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O que sabemos?

  • Setores aquaviário e logístico expressam preocupação sobre seca e El Niño em 2026-2027.
  • Diretor-geral da Antaq, Frederico Dias, solicitou planos para eventos hidrológicos extremos em 6 de agosto.
  • Presidente Lula não autorizou dragagem emergencial do Tapajós em 23 de julho, segundo as empresas.
  • Setores criticam governo por não permitir obra que poderia reduzir necessidade de planos emergenciais.

Fontes

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