Ricardo Ribenboim: a arte da transformação constante ganha livro de 300 páginas
Curadora Denise Mattar organiza retrospectiva que revela a obra que dialoga com metrópoles, natureza e a mutabilidade
A trajetória do artista e gestor cultural Ricardo Ribenboim, com obras únicas que refletem a impermanência e a metamorfose, é retratada em um livro que reúne fotos e textos críticos sobre sua produção.
Ricardo Ribenboim, aos 73 anos, tem sua complexa obra plástica revisitada agora em um livro que reúne 300 páginas de fotos e textos críticos organizados pela curadora Denise Mattar. Para ela, a produção do artista é um exemplo de metamorfose eterna, um constante processo de transformação que ele abraça como método criativo. A partir do conceito japonês "mujō", que significa mutação contínua, o volume, intitulado simplesmente "Ricardo Ribenboim", apresenta a evolução cronológica do pensamento plástico de um artista que nunca repetiu uma mesma obra.
Ribenboim é conhecido por intervenções urbanas e ambientais que aliam criatividade a mensagens impactantes. Entre seus trabalhos, destacam-se uma agulha gigante costurando os traços brancos do asfalto na rodovia Anchieta, e grandes barras de gelo derretendo nas plataformas da Estação Júlio Prestes, em São Paulo. Outros projetos envolvem o uso de band-aids imensos para remendar buracos nas ruas paulistanas e bolas infláveis lançadas no mar de Ipanema como alerta sobre a importância da água.
Além da interação com a paisagem urbana e natural, o artista experimentou com a combinação pouco usual de materiais. Criou esculturas que reúnem a imobilidade da madeira e a elasticidade da borracha, além de dispor folhas de ouro e cinzas do incêndio do Museu Nacional, com uma organização geométrica sobre pedaços de lona, consolidando seu olhar crítico e poético sobre o mundo contemporâneo. Sua produção materializa a ideia de que nada é estático e tudo está em transformação.
Combinando carreiras, Ribenboim também atuou como gestor e produtor cultural, área na qual estruturou projetos e enfrentou a burocracia do setor. Seu trabalho artístico e sua atuação institucional são representativos de uma vida dedicada a expandir as fronteiras da arte e da cultura no Brasil.
Organizado por Denise Mattar, o livro busca desconstruir a ideia de arte fixa, mostrando que a obra de Ribenboim é um organismo vivo em metamorfose constante, acompanhando as transformações do tempo e do espaço urbano e natural. A publicação traz uma narrativa visual e discursiva que propõe reflexões sobre impermanência, criatividade e a relação do homem com seu entorno.
O que sabemos?
- Ricardo Ribenboim tem 73 anos e é artista e gestor cultural.
- Obra caracteriza-se pela mutação constante e nunca repete a mesma peça.
- Livro organizado por Denise Mattar com 300 páginas em formato cronológico.
- Trabalhos incluem intervenções urbanas como agulha gigante na rodovia Anchieta e barras de gelo na estação Júlio Prestes.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa
- UOL Notícias imprensa





