Brasil

Número de candidatos às eleições de 2026 cai 30% e perfil dos concorrentes muda

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Primeira redução em duas décadas acompanha avanço de mulheres e grupos étnicos no pleito

Urna eletrônica com cédulas de votação
Imagem: Jornal da USP

Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram queda inédita no total de candidatos de 28,1 mil em 2022 para 20,6 mil em 2026, com alterações no perfil dos concorrentes e maior seletividade dos partidos.

Pela primeira vez em cerca de 20 anos, o Brasil registra uma queda significativa no número de candidatos aos cargos eletivos. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o total de inscritos para as eleições de 2026 recuou de 28,1 mil, em 2022, para 20,6 mil, uma redução de aproximadamente 30%. Essa tendência inédita ocorre em um cenário de intensa polarização política e traz alterações marcantes no perfil dos concorrentes.

O desaparecimento de quase um terço dos candidatos vem acompanhado de um aumento no número de mulheres, além do crescimento da participação de pessoas pretas, pardas e indígenas que buscam se eleger. Apesar da queda geral, esses grupos têm avançado na composição das chapas eleitorais, o que indica um movimento de maior diversidade na política nacional.

De acordo com o especialista em Direito Eleitoral e doutorando na Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP, Luiz Scarpino, essa diminuição está relacionada a uma combinação de mudanças jurídicas, políticas e econômicas. Entre os fatores que influenciaram esse cenário, ele destaca as alterações nas regras eleitorais, como a proibição de coligações nas eleições proporcionais, critérios mais rigorosos adotados pelos partidos na seleção dos candidatos e a cláusula de barreira, que impõe restrições para o acesso ao fundo partidário e tempo de TV.

"Os partidos políticos estão tendo mais critérios no número de candidatos. Isso pode ter sido também um motivo pelo qual alguns destes tenham tido mais pudor em lançar candidaturas e focar apenas naquelas que sejam mais viáveis", explica Scarpino, em declaração publicada pelo Jornal da USP. Ou seja, os partidos tendem a priorizar nomes com maior viabilidade eleitoral para evitar dispersão de votos e custos elevados em campanhas.

Essa mudança no perfil dos candidatos e o novo controle nas candidaturas podem refletir diretamente nas estratégias dos partidos e no modo como o eleitor irá escolher seus representantes a partir de 2026. A maior diversidade dos candidatos e a diminuição geral da quantidade apontam para um processo eleitoral que ocorre em meio a fluxos políticos mais seletivos e complexos no Brasil contemporâneo.

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O que sabemos?

  • Redução de cerca de 30% no número total de candidatos, de 28,1 mil em 2022 para 20,6 mil em 2026 (dados do TSE).
  • Aumento na participação de mulheres, pessoas pretas, pardas e indígenas entre os candidatos.
  • Mudanças nas regras eleitorais, como a proibição de coligações nas eleições proporcionais, critérios mais rigorosos dos partidos na escolha de candidatos e cláusula de barreira, que restringe acesso ao fundo partidário e tempo de TV.
  • Mais seletividade dos partidos na hora de montar as chapas, priorizando candidaturas com maior viabilidade eleitoral, segundo Luiz Scarpino, especialista em Direito Eleitoral.

Fontes

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