Brasil

Projeção alerta: Brasil pode enfrentar déficit de até 235 mil professores até 2040

Em apuração ?

Especialistas destacam desafios na valorização e condições de trabalho na educação brasileira

Professores em sala de aula com quadro e alunos
Imagem: CNN Brasil

Estudo do Instituto Semesp aponta possível apagão de professores no país, que poderá atingir 235 mil profissionais em 2040. O tema foi discutido em live da CNN em celebração ao Dia dos Professores, evidenciando problemas estruturais e a necessidade de melhorias.

Durante uma transmissão ao vivo da CNN nesta quinta-feira, dia que celebra o Dia dos Professores, especialistas abordaram um cenário preocupante para a educação brasileira: de acordo com projeções do Instituto Semesp, o Brasil pode enfrentar um déficit de até 235 mil professores na educação básica até o ano de 2040. Segundo a fonte, o estudo aponta que a diminuição do número de profissionais mais jovens, além do envelhecimento da categoria, evidencia desafios futuros que ameaçam a continuidade do ensino de qualidade no país.

Segundo dados apresentados na transmissão, entre 2009 e 2021, o número de professores com até 24 anos caiu de 116 mil para 67 mil, enquanto a participação de profissionais com 50 anos ou mais cresceu. Ainda de acordo com a fonte, essa mudança no perfil da categoria reforça a dificuldade de reposição de professores, além de apontar para uma possível escassez de novos profissionais para substituir a aposentadoria dos mais velhos. Como explicou uma das entrevistadas, "tem muita gente já saindo e pouca gente para substituir. A nossa maior tarefa hoje, principalmente com os alunos do Enem, é convencê-los de que ser professor ainda é vantajoso, ainda é importante, que vai ter profissão para o resto da vida".

Além das questões relacionadas ao perfil demográfico, o estudo também destaca que a valorização profissional dos professores ainda é bastante distante da realidade brasileira. Segundo relatos de um entrevistado, o salário atual do piso nacional do Magistério, que em 2026 passou para R$ 5.130,63 para uma jornada de 40 horas semanais, ainda não é suficiente para garantir a subsistência dos profissionais na prática. Muitos professores precisam trabalhar em duas ou até três redes diferentes, acumulando vínculos empregatícios, para fechar as contas no final do mês. Uma professora do Pará afirmou que "tem professor que sai para trabalhar todo dia, de sol a sol, para conseguir a subsistência da família", usando a expressão "arrimo de família" para ilustrar essa realidade.

Outro ponto abordado na discussão foi a precariedade das condições de trabalho nas escolas públicas, com relatos de salas de aula sem ar-condicionado, superlotadas com 40 ou 50 alunos, além do impacto social que afeta os estudantes. Segundo Natal Marques, professor de artes e tecnologias digitais, "o professor não é só salário, o professor é toda uma gama de coisas: salas de aula sem ar-condicionado, salas cheias com 40, 50 alunos". Marques também comentou sobre o esforço de levar inovação às regiões mais remotas, como a área do Recôncavo Baiano, onde desenvolve projetos de mosaico com materiais reciclados e atividades para comunidades de marisqueiras e pescadores na Educação de Jovens e Adultos.

Outro relato reforça a dificuldade de exercer a profissão em áreas isoladas da Amazônia, incluindo um colega que precisa de barco para chegar a comunidades ribeirinhas e que passa até 15 dias ausente, voltando cheio de relatos de projetos bem-sucedidos e experiências enriquecedoras. Ainda assim, a situação é considerada desafiadora, sobretudo para os jovens que consideram a profissão, pois há uma preocupação com a falta de novos professores e a capacidade de o Brasil manter uma educação de qualidade diante de tantas adversidades.

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O que sabemos?

  • Brasil pode ter déficit de até 235 mil professores na educação básica até 2040.
  • Número de professores jovens caiu de 116 mil para 67 mil entre 2009 e 2021.
  • Professores frequentemente trabalham em múltiplos vínculos para sobreviver.
  • Salário do piso nacional do Magistério chegou a R$ 5.130,63 em 2026.
  • Condições de trabalho precárias, com salas lotadas e sem infraestrutura adequada.

Fontes

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