Como artistas de cidades médias enfrentam o desafio de viver da arte
Pesquisa da USP revela estratégias para manter atividade cultural e garantir renda em São José do Rio Preto
Um estudo de mestrado da USP investigou as estratégias usadas por profissionais das artes visuais em São José do Rio Preto para permanecer no circuito cultural, enfrentar desafios econômicos e sociais e assegurar a subsistência por meio da arte.
Viver da arte é um privilégio para poucos, e sobreviver dela, um desafio constante para a maioria dos artistas, especialmente em cidades médias brasileiras. Uma pesquisa do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da Universidade de São Paulo (USP) investigou como profissionais das artes visuais de São José do Rio Preto, município de 500 mil habitantes no interior paulista, constroem estratégias para permanecer no circuito cultural, garantir renda e manter sua subsistência.
O estudo, resultado da dissertação de mestrado do artista plástico Juny Alessandro Biassi de Almeida, conhecido como juny kp!, mostrou que a vida no campo das artes visuais ultrapassa o processo criativo. Segundo juny kp!, “a sobrevivência no campo das artes visuais depende não apenas do talento e da produção artística, mas também da capacidade de navegar pelas dinâmicas do mercado cultural e pelas formas de legitimação que definem quem consegue viver da própria arte.”
Além da criação das obras, os artistas precisam administrar uma série de desafios que vão desde a construção de redes de sociabilidade e o engajamento em espaços expositivos até a concorrência por editais públicos, que muitas vezes são fundamentais para conquistar reconhecimento e melhores condições de permanência na profissão.
A dissertação de juny kp! recebeu orientação do professor Ruy Sardinha Lopes e, apesar de ter foco em São José do Rio Preto, ele acredita que as conclusões podem ser replicadas para outras regiões do país.
O que sabemos?
- A pesquisa investigou como profissionais das artes visuais de São José do Rio Preto constroem estratégias para permanecer no circuito cultural, garantir renda e subsistência.
- A dissertação de mestrado foi defendida no Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP, orientada pelo professor Ruy Sardinha Lopes.
- O estudo destaca que para sobreviver no campo das artes visuais é necessário talento, produção artística e capacidade de navegar pelas dinâmicas do mercado cultural e formas de legitimação.
- Os artistas enfrentam desafios como construção de redes, participação em exposições e concorrência por editais públicos.
O que ainda não foi confirmado?
- Que as conclusões podem ser aplicadas a outros contextos sem especificação.
- A contribuição da pesquisa para o debate sobre valorização dos trabalhadores da cultura no interior do Brasil.
- Que o estudo reforça a necessidade de políticas públicas mais efetivas e espaços inclusivos.
Fontes
- Jornal da USP fonte oficial



