Polícia Federal inicia perícia em prédio da UFPE destruído por incêndio
Investigações buscam determinar causa do fogo que causou prejuízo de R$ 100 milhões na universidade
A Polícia Federal já realiza perícia no prédio da UFPE que foi destruído por incêndio na semana. Uso de drone e robô marca a investigação que busca esclarecer as causas do sinistro e seus efeitos na pesquisa científica.
A Polícia Federal iniciou na manhã desta quinta-feira (8) a perícia no prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que foi destruído por um incêndio na noite da quarta-feira anterior. Segundo fontes da própria corporação, a análise no local, que ainda está infestado de fumaça e com risco de desabamento do teto, está sendo feita com o auxílio de um drone e de um robô equipado com câmeras, já que as equipes de perícia ainda não podem adentrar o edifício por motivos de segurança.
De acordo com informações repassadas por uma fonte da Polícia Federal, o fogo teve início na noite de quarta-feira e só foi controlado ao longo de nove horas pelo Corpo de Bombeiros. A estrutura mais afetada foi o primeiro andar, onde estavam laboratórios de pesquisa ligados a áreas de saúde, incluindo estudos sobre Covid-19, câncer, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Ainda segundo a fonte, as imagens captadas pelo drone mostram uma destruição ampla, com escombros, móveis retorcidos e tubos de pesquisa gravemente danificados.
O prejuízo material foi estimado pela reitoria da universidade em cerca de R$ 100 milhões, uma quantia que leva em conta os equipamentos, as instalações e os cerca de 200 trabalhos científicos e teses afetados. Entre esses projetos, estão pesquisas de grande relevância na área de saúde, que estavam em andamento há duas décadas. A constatação preocupa estudantes e pesquisadores, pois muitos desses estudos podem ser irrecuperáveis, prejudicando anos de trabalho.
Na manhã seguinte ao incêndio, a Polícia Federal anunciou que só há possibilidade de acesso ao interior do prédio após a realização de um escoramento estrutural, para garantir a segurança dos funcionários e evitar novos riscos de desabamento. Segundo uma fonte da corporação, peritos de Brasília estão a caminho para auxiliar na investigação, que ainda busca determinar se o incêndio foi criminoso ou teve causas acidentais. A Defesa Civil do Recife informou que ainda não vistoriou oficialmente o prédio, aguardando a conclusão dos trabalhos da Polícia Federal para realizar avaliações mais detalhadas, com o envolvimento de um engenheiro da própria universidade.
Historicamente, o prédio já abrigou o Restaurante Universitário nas décadas de 1980 e 1990, além de ter sido sede da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine). Durante a pandemia, o espaço passou a receber o Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica, que congrega diversos laboratórios voltados a estudos na área de saúde e tecnologia. Em resposta ao ocorrido, o ministro da Educação visitou a universidade na tarde de quinta-feira e anunciou a construção de um novo centro de pesquisas, com um investimento previsto de cerca de R$ 28 milhões. Ainda de acordo com a pasta, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, informou que serão destinados R$ 40 milhões para reaver os equipamentos perdidos e dar continuidade às pesquisas interrompidas pelo fogo.
Este foi o terceiro incêndio registrado na UFPE em uma semana. Antes, outros incidentes aconteceram em laboratórios do Departamento de Física no dia 30 de setembro e também no domingo seguinte, 4 de outubro. Ainda não há confirmação oficial se esses eventos estão relacionados ou se trata de acidentes isolados, uma questão que continua sendo investigada pelas autoridades, que ainda aguardam resultados de laudos técnicos para esclarecer a questão.
O que sabemos?
- Polícia Federal iniciou perícia no prédio destruído por incêndio na UFPE.
- Uso de drone e robô na análise do interior do imóvel devido ao risco de desabamento.
- Prejuízo estimado em R$ 100 milhões, afetando cerca de 200 teses e dissertações.
- Incêndio começou na noite da quarta-feira e foi controlado após nove horas de combate.
- Esta é a terceira ocorrência de fogo na universidade em uma semana.
Fontes
- G1 imprensa





