Brasil

Campanha eleitoral no Brasil ignora a urgente pauta climática em meio a recordes de desastres naturais

Em apuração ?

Parlamento e observatórios apontam negligência na discussão sobre mudanças climáticas na corrida presidencial de 2026

Gráfico mostrando desastres climáticos e a ausência de propostas ambientais na campanha eleitoral brasileira
Imagem: Folha de S.Paulo

Apesar de eventos extremos e recordes de temperaturas no hemisfério norte, a questão ambiental tem pouco espaço na campanha eleitoral brasileira, que também enfrenta crise institucional.

Enquanto o Brasil enfrenta um ano marcado por fenômenos climáticos extremos, como enchentes no sul e sudeste e ameaças de seca no norte, a pauta ambiental praticamente desapareceu da campanha eleitoral para as eleições de 2026. Segundo informações de uma fonte especializada, essa ausência reflete os próprios programas de governo apresentados pelos principais candidatos, dos quais apenas o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, trouxe uma proposta clara sobre o tema. Os demais candidatos — Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema — apresentaram propostas vagas ou não abordaram aspectos essenciais, como a redução de emissões de gases de efeito estufa, de forma detalhada.

Para entender o que está por trás dessa negligência, é importante ressaltar que o país vive uma crise institucional que monopoliza as atenções da imprensa: o conflito envolvendo o Supremo Tribunal Federal tem dominado os acontecimentos políticos e políticos, deixando a pauta ambiental em segundo plano. Ainda assim, pesquisas acadêmicas indicam que fenômenos climáticos extremos têm influência direta no voto, ampliando a importância desse tema na percepção pública. Segundo uma especialista ouvida, "o que está faltando para aumentar a convicção do voto ‘verde’ é um candidato que incorpore a questão, colocando a discussão no cotidiano das pessoas. As chuvas, os eventos extremos, fazem parte do nosso dia a dia e isso precisa estar na boca dos candidatos".

De acordo com um levantamento do instituto Ipsos, solicitado pelo Observatório do Clima, uma rede de quase 200 organizações ambientais, 91% dos brasileiros consideram importante que os candidatos apresentem propostas para combater as mudanças climáticas. Já 62% classificam essa questão como muito importante. Apesar do desalinho da agenda política, o próprio Observatório do Clima analisou os programas de governo e constatou que a maioria dos candidatos, especialmente aqueles ligados ao espectro da direita ou extrema direita, mostraram-se pouco comprometidos ou até mesmo negaram a relevância do tema nas suas plataformas. Ainda não há confirmações oficiais de que o combate às alterações climáticas tenha sido deliberadamente ignorado, mas há um consenso de que a pauta não possui destaque nas campanhas até o momento, o que preocupa especialistas e movimentos sociais.

Essa situação reforça a necessidade de maior envolvimento da sociedade e das lideranças na discussão sobre o clima, já que eventos extremos vêm acontecendo com maior frequência e intensidade. A explicação, segundo a especialista ouvida, é que "tudo isso faz parte do nosso quadro de vivência, e a presença dessa pauta na campanha poderia estimular ações concretas de governança e políticas públicas que ainda parecem distantes do debate eleitoral oficial". Como o país vive uma fase de incertezas político-institucionais, especialistas alertam que a ausência de uma plataforma sólida de ações ambientais pode comprometer o enfrentamento às mudanças globais, que já estão afetando cidades, comunidades e ecossistemas pelo Brasil e pelo mundo.

Publicidade

O que sabemos?

  • Eleições de 2026 no Brasil ocorrem em meio a fenômenos climáticos extremos.
  • Programas de governo dos principais candidatos não apresentam propostas claras de ações ambientais.
  • Levantamento aponta que 91% dos brasileiros consideram importante que candidatos façam propostas sobre mudanças climáticas.
  • Campanha eleitoral está dominada por crise institucional envolvendo o STF, deixando a pauta ambiental em segundo plano.

Fontes

Publicidade