A extensa literatura de James Joyce no Brasil revela fascínio por um autor considerado intraduzível
Reedições e traduções continuam a ampliar o impacto da obra do escritor irlandês no país
Apesar de considerado um dos autores mais difíceis de compreender, James Joyce conquista leitores e estudiosos brasileiros, que lideram uma tradição de traduções de suas obras, incluindo 'Ulisses' e 'Finnegans Wake'.
O nome de James Joyce, autor irlandês conhecido por sua obra complexa e inovadora, virou uma verdadeira paixão no Brasil, onde uma extensa tradição de traduções revela a admiração pela sua literatura. Segundo fontes acadêmicas, há mais de um século os brasileiros se aventuram na leitura de sua obra, considerada por muitos como uma das mais difíceis de traduzir e compreender. Desde os primeiros registros, como um artigo de Mário de Andrade de 1924, o interesse pelo autor já se manifestava, pouco tempo após o lançamento de seus principais romances.
De acordo com informações de uma fonte especializada, o Brasil já publicou três traduções completas de 'Ulisses', obra lançada em 1922, além de duas versões de 'Finnegans Wake' — o livro de 1939, famoso por sua linguagem radical e qualidade considerada ilegível por muitos. Ainda não se confirmaram oficialmente novas traduções, mas há registros de outras versões em fase de revisão e de trabalhos acadêmicos explorando fragmentos da obra de Joyce, incluindo seus contos e cartas. Segundo uma especialista, essa prolificidade reforça a ideia de que a obra do autor irlandês, por sua própria natureza, é uma 'obra aberta', constantemente reinterpretada por diferentes tradutores e estudiosos.
O entendimento de Joyce como autor 'in traduzível' é reforçado por uma professora da Universidade Federal de Santa Catarina, que explica que sua complexidade decorre da invenção linguística presente em seus textos. Segundo ela, as obras de Joyce não cessam de ser traduzidas porque a língua de chegada nunca consegue abarcar toda a inventividade literária do autor, tornando cada tradução uma espécie de nova leitura. No Brasil, essa relação de fascínio se reflete em uma verdadeira comunidade de 'joycianos', que contribuem para manter viva a obra do autor por meio de traduções, estudos e até projetos criativos como desenhos estilizados das páginas de seus livros, como fez uma artista brasileira com 'Finnegans Wake'.
Pesquisadores ressaltam que o relato de interesse por Joyce no Brasil remonta a pelo menos 1924, quando o escritor modernista Mário de Andrade citou um trecho de 'Ulisses' em um artigo publicado na Revista do Brasil. Logo depois, outros textos, como um do então jovem Gilberto Freyre, exaltavam a obra, reforçando a presença do autor na cena intelectual brasileira desde seus primeiros anos. A edificação desse interesse contínuo mostra como Joyce, mesmo considerado uma leitura desafiadora, encontrou no Brasil um público dedicado, conectado à tradição modernista e à busca por novas formas de expressão literária.
O que sabemos?
- Brasil publicou várias traduções de obras de Joyce, incluindo três completas de 'Ulisses' e duas de 'Finnegans Wake'
- Joyce é considerado um dos autores mais difíceis de traduzir devido à sua linguagem inventiva e radical
- O interesse pelo autor no Brasil remonta a pelo menos 1924, pouco tempo após o lançamento de suas obras principais
- Existe uma comunidade brasileira de estudiosos e apaixonados por Joyce que promove traduções, estudos e interpretações de suas obras
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa




