Brasil

Riso involuntário: o que se passa no cérebro quando não conseguimos parar de rir?

Em apuração ?

Pesquisadores investigam as diferentes redes cerebrais envolvidas no riso espontâneo e suas implicações

Ilustração de uma cabeça com redes neurais ativadas ao rir
Imagem: Folha de S.Paulo

Estudos recentes analisam os motivos sociais e neurológicos por trás do riso incontrolável, levando em conta as regiões cerebrais ativadas nessa resposta.

Já aconteceu de você começar a rir em uma situação totalmente inadequada e, por mais que tentasse, não conseguir parar? Pesquisadores da área de psicologia cognitiva buscaram entender o que acontece com o cérebro nessas ocasiões, que muitas vezes deixam as pessoas incapazes de controlar a própria reação. Segundo uma professora de psicologia cognitiva da University College London, no Reino Unido, essas risadas involuntárias têm uma origem neurológica diferente daquelas que surgem de diversão ou humor.

Na sua pesquisa, ela destaca que a maioria das risadas que ocorrem em conversas ou situações sociais é voluntária e tem o objetivo de fortalecer vínculos ou demonstrar concordância. Esses episódios costumam acontecer a uma frequência média de seis por cada dez minutos de conversa, são breves, de tom mais grave e terminam rapidamente. Entretanto, existem também as risadas incontroláveis, mais longas e agudas, acompanhadas de guinchos ou assobios, que não podem ser controladas e surgem aparentemente do nada. Ainda não há unanimidade na comunidade científica sobre as regiões cerebrais específicas que controlam esses dois tipos de riso, o voluntário e o involuntário.

Um dos desafios para esse estudo é que o riso involuntário provoca movimentos corporais e faciais, dificultando a utilização de técnicas de neuroimagem como a ressonância magnética funcional, que exige que o paciente permaneça imóvel durante o exame. Segundo a mesma pesquisadora, diferentes áreas do cérebro parecem estar relacionadas ao fenômeno, o que confirma a complexidade do tema. Uma colaboração com a unidade de cirurgia de epilepsia do Hospital Niguarda, em Milão, permite explorar essa questão por meio da estimulação elétrica cerebral. Essa técnica, que é usada em pacientes com epilepsia resistente a medicamentos, permite estimular regiões específicas do cérebro de forma precisa, sem os movimentos que normalmente acompanham o riso. Ainda não há confirmação de que essa tecnologia possa identificar exatamente as redes neurais envolvidas no riso incontrolável, mas os pesquisadores continuam investigando.

Apesar de ainda estar em desenvolvimento, essa linha de pesquisa promete avançar na compreensão de fenômenos como o riso incontrolável, que pode estar ligado a certas condições neurológicas ou transtornos psiquiátricos. A constatação de que diferentes circuitos cerebrais podem estar por trás de risadas voluntárias e involuntárias ajuda a esclarecer uma dúvida comum: por que às vezes rimos sem poder evitar, mesmo em momentos de séria contenção emocional? Ainda não há uma resposta definitiva, e as investigações continuam, aguardando novas confirmações e estudos complementares.

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O que sabemos?

  • Estudos investigam as redes cerebrais envolvidas no riso involuntário.
  • Riso social é maior quando acompanhado e com quem se gosta.
  • Riso involuntário dura mais, é mais agudo e difícil de controlar.

Fontes

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