Estudo revela múltiplos naufrágios no sítio de Anticítera e mudanças ao longo de dois milênios
Pesquisadores propõem uma nova leitura do famoso sítio arqueológico, sugerindo presença de mais de um naufrágio na região
Uma análise recente indicou que o sítio de Anticítera, conhecido por abrigar um naufrágio do século I a.C., pode incluir pelo menos duas embarcações distintas, além de evidenciar a complexidade dos processos naturais que alteraram seus vestígios ao longo de mais de 2000 anos.
Um estudo publicado em 2026 trouxe uma nova perspectiva sobre o sítio arqueológico de Anticítera, localizado no fundo do mar, ao sugerir que a área pode abrigar mais de um naufrágio simultâneo, ao contrário do que se pensava anteriormente, que tratava o local como um único, preservado e intacto. Segundo a fonte, ainda não confirmada oficialmente por outras pesquisas, os pesquisadores analisaram as mudanças no ambiente submarino ao longo de cerca de dois milênios, usando a técnica de geoarqueologia para entender como deslizamentos de terra, soterramentos e reacomodações de sedimentos afetaram os destroços dos navios na região.
O estudo divide o sítio em duas áreas distintas, chamadas de Área A, que ocupa cerca de 740 metros quadrados, e a Área B, aproximadamente 770 metros quadrados, a cerca de 200 metros de distância da primeira. Ambas apresentam materiais compatíveis com o século I a.C., como ânforas e cerâmicas tipologicamente idênticas, o que reforça a hipótese de que as embarcações estavam relacionadas cronologicamente. Entretanto, ao comparar as escavações realizadas nas duas áreas, os autores indicam que as evidências apontam para a presença de pelo menos dois naufrágios vivendo na mesma época, embora não possam determinar se esses acontecimentos ocorreram no mesmo dia ou durante a mesma tempestade.
Segundo a pesquisa, o entendimento de que há mais de um naufrágio ocorre devido à diferença na distribuição de objetos, ao relevo submarino íngreme e aos movimentos de massa que ocorreram ao longo dos séculos. Esses fatores teriam deslocado sedimentos e fragmentos de embarcações, dificultando a interpretação de uma fotografia precisa do que aconteceu no momento do desastre. Os pesquisadores analisaram amostras de sedimentos de sete camadas distintas, além de identificar quatro unidades mineralógicas — calcita, calcita com aragonita, aragonita e dolomita — o que revela que os destroços não foram cobertos por uma camada uniforme, mas por processos de sedimentação diferentes ao longo dos tempos.
Apesar de todas essas evidências indicarem uma cronologia compatível com o século I a.C., os autores ainda não confirmam a causa específica do naufrágio ou naufrágios. O estudo não identificou eventos meteorológicos extremos ou tempestades específicas que possam ter provocado o desastre, tampouco reconstruiu vents ou ondas que tenham contribuído para o afundamento. Assim como a própria posição dos objetos na área do fundo do mar não permite uma recriação exata dos acontecimentos, a complexidade do relevo e os processos naturais contínuos dificultam o entendimento preciso do que ocorreu na época.
O sítio de Anticítera, famoso por seu mecanismo de origem incerta, permanece uma peça chave para entender a navegação e o comércio na antiguidade, bem como os processos naturais de preservação no ambiente marinho. O estudo aponta a importância de considerar que, muitas vezes, a história de um naufrágio não é uma narrativa única, mas uma soma de eventos naturais e humanos que se acumularam ao longo do tempo, alterando os vestígios e desafiando os arqueólogos a reconstruírem um passado que nunca foi completamente preservado.
O que sabemos?
- Estudo sugere que há mais de um naufrágio no sítio de Anticítera.
- As áreas A e B do sítio mostram materiais compatíveis com o século I a.C.
- Mudanças naturais no ambiente submarino, como deslizamentos e sedimentação, alteraram os achados ao longo de dois milênios.
- A pesquisa identificou sete camadas de sedimentos e quatro unidades mineralógicas que cobriram os destroços ao longo do tempo.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada




