Naufrágio português de 1533 revela possível tesouro na costa da Namíbia
Histórico nau português, que desapareceu há quase 500 anos, pode esconder riquezas e artefatos valiosos
O naufrágio da embarcação Bom Jesus, que partiu de Lisboa em 1533, foi localizado na costa da atual Namíbia após quase cinco séculos. A descoberta inclui depósitos de cobre, ouro, marfim e objetos de navegação, trazendo novas perspectivas sobre as viagens marítimas daquele período.
Segundo fontes ainda não confirmadas oficialmente, um naufrágio português ocorrido em 1533 na costa da Namíbia tem atraído atenção de arqueólogos e historiadores. A embarcação, chamada Bom Jesus, saiu de Lisboa com cerca de 300 pessoas a bordo, incluindo marinheiros, soldados, pessoas escravizadas, comerciantes, religiosos e o capitão Dom Francisco de Noronha. Sua finalidade era uma rota de 15 meses rumo à Índia, mas, ao contrário de outras nações daquele período, o navio português jamais retornou a Portugal.
O arqueólogo que lidera as escavações, trabalhando para a empresa de mineração de diamantes Namdeb, informou que a descoberta ocorreu em 2008, durante uma atividade de exploração marítima na região do Sperrgebiet, área de acesso restrito na Namíbia. Durante as atividades, o profissional encontrou na areia um objeto que à primeira vista parecia uma pedra; posteriormente, identificou-se como um lingote de cobre marcado com um tridente, símbolo associado a Anton Fugger, um dos comerciantes mais influentes da Europa no século XVI. Esta confirmação reforça a teoria de que o naufrágio aconteceu próximo ao litoral, após uma tempestade que teria forçado o navio a colidir com rochas e se desintegrar a cerca de 26 quilômetros ao norte da foz do rio Orange.
As escavações levaram à recuperação de aproximadamente 22 toneladas de lingotes de cobre, além de objetos de ouro, marfim e instrumentos de navegação, como astrolábios. Segundo os especialistas, trata-se do naufrágio mais antigo e rico já encontrado na região, o que pode oferecer uma nova perspectiva histórica sobre as rotas marítimas do século XVI. Ainda não se sabe ao certo quantas pessoas sobreviveram, uma vez que poucos restos humanos foram encontrados, o que sugere que muitos ocupantes poderiam ter conseguido alcançar a costa.
Recentemente, um estudo publicado no International Journal of Historical Archaeology destacou as dificuldades enfrentadas na preservação dos artefatos, que sofreram danos por reações químicas devido à exposição ao oxigênio após a retirada da água. Os pesquisadores alertaram para a necessidade de melhorias nos métodos de armazenamento de objetos históricos encontrados em ambientes marítimos, além de enfatizar que essas descobertas podem ajudar a orientar futuras escavações em regiões de difícil acesso. Com a revelação de uma parte significativa do passado, a descoberta não apenas enriquece o conhecimento sobre a presença portuguesa na África no século XVI, mas também abre espaço para debates sobre a preservação de patrimônios arqueológicos submersos.
O que sabemos?
- O naufrágio ocorreu em 1533 na costa da Namíbia.
- Foi localizado por um arqueólogo de uma empresa de mineração em 2008.
- Artefatos incluindo cobre, ouro e marfim foram recuperados.
- O navio partiu de Lisboa com cerca de 300 pessoas a bordo.
- O naufrágio é considerado um dos mais antigos e ricos na região.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada





