Brasil

Estudo revela dificuldades do projeto nuclear alemão na Segunda Guerra

Em apuração ?

Pesquisa aponta que reator nazista nunca atingiu a criticidade devido à escassez de materiais essenciais

Imagem ilustrativa de um reator nuclear e documentos históricos
Imagem: Revista Galileu

Uma equipe liderada por um pesquisador americano analisou vestígios de um reator do projeto nuclear nazista e concluiu que a Alemanha estava mais longe de produzir uma arma atômica do que se pensava, sobretudo devido à insuficiência de água pesada, um componente-chave.

Segundo uma publicação do periódico PNAS Nexus, uma equipe de cientistas liderada por Timothy Koeth, da Universidade de Maryland, realizou uma análise inédita de dois cubos de urânio que sobrou de um reator experimental alemão conhecido como pilha B8, construído em 1945 sob a supervisão do físico Werner Heisenberg. A investigação visava entender as limitações do programa nuclear nazista, e os resultados revelam que a Alemanha enfrentava obstáculos muito maiores do que os historiadores costumam imaginar na tentativa de desenvolver uma arma atômica durante a Segunda Guerra.

De acordo com os pesquisadores, os cubos de urânio natural foram examinados junto de registros históricos, relatórios técnicos e documentos de arquivo. Eles descobriram que, na época, o reator B8 precisaria de aproximadamente o dobro de urânio e mais do que o dobro de água pesada — uma substância que torna as reações nucleares mais eficientes — do que tinha disponível. Ainda segundo o estudo, o fornecimento de água pesada na Noruega, controle da Alemanha na época, era significativamente insuficiente para sustentar o funcionamento desejado do reator. A única instalação europeia capaz de fornecer esse material, a usina Norsk Hydro em Vemork, foi tomada pelos alemães em 1940 e bombardeada pelos americanos três anos depois.

O estudo também destacou o papel da água pesada na manutenção da reação em cadeia. Ela reduz a velocidade dos nêutrons, facilitando a fissão do urânio. Porém, devido à escassez, os cientistas alemães poderiam ter tentado usar grafite como moderador — material que também desacelera nêutrons —, método bem-sucedido na primeira reação nuclear controlada do mundo, realizada pelos americanos em 1942. Contudo, o grafite disponível sob controle nazista apresentava traços de boro, que absorvem nêutrons e prejudicam a reação nuclear, o que dificultava ainda mais o progresso do projeto.

Segundo os dados, Werner Heisenberg e seus colegas subestimaram a quantidade de material necessária para alcançar a criticidade, ou seja, o ponto em que a reação nuclear se torna autossustentável. Como resultado, o reator B8 nunca chegou a esse estágio em 1945, o que significa que nunca produziu plutônio suficiente para uma bomba. Mesmo assim, as informações reforçam a hipótese de que o programa alemão foi muito mais limitado do que relatos anteriores indicam, deixando claro que eles estavam longe de conseguir uma arma nuclear naquele momento. Ainda não há confirmação oficial se outros fatores também dificultaram o avanço do projeto nazista, pois a pesquisa se baseou principalmente em vestígios materiais e registros históricos, aguardando futuras verificações de outras fontes.

Publicidade

O que sabemos?

  • A equipe de pesquisa analisou cubos de urânio do reator B8, construído em 1945.
  • O reator nunca atingiu a criticidade nem produziu plutônio suficiente para armas.
  • A escassez de água pesada foi um grande obstáculo para o projeto alemão.
  • A água pesada era crucial para sustentar a reação em cadeia no reator.»

Fontes

Publicidade