Brasil

Estatueta de pedra descoberta há 120 anos no litoral de São Paulo ainda desafia arqueólogos

Em apuração ?

Objeto antropomorfo, encontrado em Iguape, permanece sem uma origem definitiva, levantando debates sobre sua história

Imagem ilustrativa da estatueta de pedra encontrada em Iguape, litoral de São Paulo
Imagem: G1

A pequena estatueta de pedra, conhecida como Ídolo de Iguape, foi encontrada em 1906 por caiçaras na região do Sambaqui do Morro Grande. Apesar de mais de um século de estudos, sua origem e significado continuam sendo objeto de controvérsia entre arqueólogos.

No litoral de São Paulo, um artefato arqueológico de aproximadamente 9 centímetros de altura, conhecido como Ídolo de Iguape, continua a despertar o interesse e a dúvida dos especialistas após mais de 120 anos de sua descoberta. Encontrada por caiçaras em 1906 na região do Sambaqui do Morro Grande, em Iguape, a peça de pedra de formato antropomorfo foi estudada inicialmente pelo naturalista Ricardo Krone, que a associou, ainda no início do século XX, a culturas andinas, sugerindo uma possível migração desses povos em direção ao litoral brasileiro. Porém, essa hipótese ainda não foi confirmada oficialmente e, atualmente, arqueólogos defendem que o objeto seja de origem sambaquieira, uma cultura de caçadores-coletores que ocupava a região do litoral brasileiro há milhares de anos.

Segundo o historiador e jornalista Roberto Fortes, que fornece detalhes sobre a descoberta e os estudos preliminares, a peça foi localizada por caiçaras na área do Rio Comprido, na atual Estação Ecológica da Juréia-Itatins, durante um levantamento da Comissão Geográfica e Geológica do Estado de São Paulo. Krone, que viveu por muitos anos em Iguape e atuou em diversas áreas, examinou o artefato, que possui formato de figura humana esculpida em pedra. Para ele, a peça teria relação com as origens do homem americano, uma teoria que, hoje, encontra resistência entre os arqueólogos atuais. A peça está sob a guarda do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP (MAE-USP), enquanto uma réplica é preservada no Museu Municipal de Iguape.

O professor Paulo DeBlasis, do MAE-USP, destaca que representações antropomorfas semelhantes ao Ídolo de Iguape são raras entre as esculturas associadas aos sambaquieiros, o que confere a peça uma importância singular na arqueologia brasileira. Ele ressalta que, na época da descoberta, o conhecimento sobre as produções artísticas dessas culturas ainda era limitado, dificultando a análise de seu significado e origem. De acordo com o arqueólogo Manoel Gonzalez, os estudos das culturas andinas já tinham reunido um maior número de artefatos, mas as representações de figuras humanas em sambaquis brasileiros eram pouco conhecidas.

Apesar das hipóteses levantadas ao longo de mais de um século, a verdadeira origem, a data de produção e a função exata do Ídolo de Iguape permanecem incertas, alimentando debates acadêmicos e ainda sem uma conclusão definitiva. Ainda não há confirmação oficial de uma nova descoberta ou de um estudo que possa solucionar o mistério que cerca esse pequeno artefato. Assim, a história do Ídolo de Iguape continua sendo uma peça fundamental para entender um pouco mais sobre as antigas populações que habitaram a costa brasileira, embora muitos detalhes ainda permaneçam na fase de especulação ou investigação em andamento.

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O que sabemos?

  • A estatueta foi encontrada em 1906 por caiçaras na região do Sambaqui do Morro Grande, em Iguape.
  • A peça foi estudada inicialmente por Ricardo Krone, que a associou às culturas andinas.
  • Hoje, o objeto está sob a guarda do MAE-USP, e uma réplica fica no Museu Municipal de Iguape.
  • Arqueólogos atuais defendem que a origem da peça seja sambaquieira, de povos caçadores-coletores do litoral brasileiro.
  • A data exata de produção e a função da estatueta permanecem desconhecidas.

Fontes

  • G1 imprensa
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