Estagnação na sindicalização no Brasil evidencia queda histórica, especialmente entre os jovens
Dados do IBGE mostram que percentual de trabalhadores sindicalizados está abaixo do nível pré-reforma trabalhista e em forte declínio desde 2012
A proporção de trabalhadores sindicalizados no Brasil atingiu a segunda menor marca da série histórica, chegando a 8,8% em 2025. A diminuição é mais acentuada entre os jovens, refletindo mudanças na contribuição sindical e na adesão às entidades de classe.
Segundo dados do IBGE divulgados nesta quarta-feira (23), a proporção de trabalhadores sindicalizados no Brasil permaneceu praticamente estável entre 2024 e 2025, chegando a 8,8%, o que representa uma ligeira queda de 0,1 ponto percentual em relação ao ano anterior. Essa taxa é a segunda menor da série histórica, que começou a ser registrada de forma contínua, e permanece abaixo dos níveis observados antes da implementação da reforma trabalhista de novembro de 2017, no governo Michel Temer, quando a adesão era de 9,1%.
O número absoluto de sindicalizados em 2025 foi de 9,1 milhões, os quais representam cerca de 8,8% dos aproximadamente 103 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais, que estão em alguma situação de trabalho, seja formal ou informal. Isso mostra uma redução de 36,7% em relação aos 14,4 milhões de trabalhadores sindicalizados em 2012, início da série histórica do IBGE. Em 13 anos, a diminuição de aproximadamente 5,3 milhões de trabalhadores associados às entidades é equivalente a mais que o dobro da população estimada de uma capital como Salvador, atualmente em torno de 2,6 milhões de habitantes.
Ao analisar os fatores que influenciaram essa queda, o analista do IBGE William Kratochwill destacou que a reforma trabalhista trouxe mudanças importantes ao acabar com a obrigação de contribuição sindical compulsória, conhecida como imposto sindical, cuja arrecadação passou a depender da autorização individual dos profissionais. Essa mudança, segundo Kratochwill, impactou diretamente na adesão às entidades de classe.
Um ponto relevante é que a redução na sindicalização é ainda mais evidente entre os jovens. Ainda não há dados precisos divulgados que detalhem essa faixa etária, mas a tendência de menor participação entre os mais jovens parece forte, refletindo talvez mudanças no perfil de emprego, nas prioridades e na percepção de valor das sindicatos pelos trabalhadores mais novos. A diminuição na adesão demonstra que o movimento sindical enfrenta desafios para se manter relevante junto ao público mais jovem.
Embora os números reforcem uma tendência de declínio na sindicalização, especialistas indicam que fatores econômicos, sociais e jurídicos continuam influenciando essa realidade. Ainda assim, essa baixa proporção pode ter implicações importantes para a representação dos trabalhadores e a negociação de direitos no país, uma vez que a força de uma entidade sindical está relacionada diretamente ao seu número de associados. Com a permanência dessa tendência, o Brasil caminha para níveis históricos de baixa sindicalização, o que, de acordo com analistas, pode afetar a capacidade de atuação dos sindicatos na defesa dos direitos trabalhistas no futuro.
O que sabemos?
- A proporção de trabalhadores sindicalizados no Brasil passou de 8,9% em 2024 para 8,8% em 2025.
- O número de sindicalizados em 2025 é de cerca de 9,1 milhões, o que representa 8,8% das pessoas ocupadas no país.
- Desde 2012, o número de sindicalizados caiu 36,7%, uma redução de 5,3 milhões de pessoas.
- A reforma trabalhista de 2017 eliminou a obrigatoriedade do imposto sindical, dependendo agora de autorização individual.
- A adesão aos sindicatos é menor entre os jovens.
Fontes
- UOL Notícias imprensa
- UOL Notícias imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa





