Brasil

Especialista norte-americano explica conceito de superdotação e responde perguntas de crianças brasileiras

Informações checadas ?

Joseph Renzulli comenta sobre a rapidez de raciocínio de jovens talentosos e o modelo educacional para desenvolver habilidades extraordinárias

Fotografia de Joseph Renzulli durante entrevista
Imagem: Folha de S.Paulo

Em entrevista, psicólogo de 90 anos compartilha sua visão sobre o que define superdotação e como a educação pode estimular esses talentos.

O renomado psicólogo norte-americano Joseph Renzulli, de 90 anos, foi convidado pela Folha para discutir temas relacionados à superdotação, uma área de pesquisa que ele conduz há mais de cinco décadas. Uma das questões levantadas por crianças brasileiras superdotadas foi: "Por que eu penso tão rápido?". Renzulli explicou que a velocidade de pensamento pode estar relacionada ao perfil dessas crianças, que costumam mostrar facilidade para processar informações rapidamente, embora o autor tenha destacado que cada caso deve ser avaliado individualmente.

Segundo Renzulli, a concepção tradicional de superdotação — que até os anos 1970 era centrada quase exclusivamente em testes de QI, geralmente com pontuações acima de 130 — foi revolucionada com sua criação dos "três anéis": habilidade acima da média, criatividade e forte comprometimento com as tarefas. Essa abordagem amplia a compreensão do que significa ser superdotado, integrando dimensões cognitivas e comportamentais, e facilitando uma identificação mais ampla e justa desses jovens talentos.

O especialista também detalhou seu Modelo de Enriquecimento Escolar, cuja proposta é oferecer inicialmente experiências diversas a todos os alunos, com o objetivo de despertar interesses e estimular habilidades. Quando algum estudante demonstra envolvimento elevado, passa a participar de práticas que desenvolvem suas competências específicas, evoluindo para projetos que permitem aprofundar seus interesses e produzir resultados concretos. Essa metodologia visa atender às diferentes formas de potencializar o talento, reconhecendo que superdotação não se limita apenas ao QI.

Desde os anos 1970, Renzulli tem trabalhado para mudar o paradigma de identificação e desenvolvimento de estudantes com altas habilidades, defendendo que a educação deve ser adaptada às múltiplas dimensões do intelecto e da criatividade. Ainda não há uma confirmação oficial de que alguma escola brasileira esteja adotando seu modelo ou seus conceitos especificamente, mas a entrevista reforça a importância de pensar a superdotação de forma mais ampla e integrada, especialmente em um país onde o tema ganha repercussão recente.

Por fim, ainda que o psicólogo tenha mencionado que cada criança possui suas particularidades, seu trabalho e estudos continuam a influenciar a forma como educadores e especialistas enxergam o potencial de jovens que pensam e agem de formas diferentes, mais rápidas e criativas. Para quem acompanha as discussões sobre educação no Brasil, as ideias de Renzulli oferecem um horizonte promissor para ampliar oportunidades e valorizar o talento em todas as suas formas, indo além do simples teste de QI.

Publicidade

O que sabemos?

  • Joseph Renzulli tem 90 anos e é professor emérito da Universidade de Connecticut (EUA).
  • Ele criou a concepção dos três anéis para definir superdotação: habilidade, criatividade e comprometimento.
  • Desenvolveu o Modelo de Enriquecimento Escolar para estimular talentos em estudantes.
  • Foi convidado pela Folha para esclarecer dúvidas de crianças brasileiras sobre raciocínio rápido.
  • A abordagem dele revolucionou a forma de pensar a superdotação na educação.

Fontes

Publicidade