Energia roubada no Rio de Janeiro equivale a abastecer casas do Espírito Santo por um ano, revela Light
Concessionária estima prejuízo de R$ 1,3 bilhão anualmente e combate furtos com parcerias e vigilância
Segundo a Light, energia furtada no RJ em 2025 teria potência suficiente para atender o sistema residencial do Espírito Santo durante um ano. Em sete meses de 2026, foram roubados 70 km de cabos, causando cerca de R$ 10 milhões em prejuízos.
De acordo com levantamento divulgado nesta quinta-feira (3) pela concessionária Light, a quantidade de energia furtada no Rio de Janeiro em 2025 é suficiente para abastecer as residências do Espírito Santo pelo período de um ano. A análise aponta que essas perdas representam um prejuízo anual de aproximadamente R$ 1,3 bilhão para a distribuidora, devido às fraudes que envolvem o furto de energia, conhecido popularmente como “gato de luz”.
Segundo o superintendente de Serviços Comerciais da Light, Keison Thurler, a estimativa foi feita considerando a carga de baixa tensão residencial, ou seja, o consumo normal de energia nas casas. “Esse sistema residencial é considerado uma carga de baixa tensão, e o levantamento indica que a energia furtada no Rio de Janeiro em 2025 daria um total suficiente para alimentar toda a carga residencial do Espírito Santo”, explicou. Ainda de acordo com a concessionária, só até agosto deste ano, mais de 179 mil ligações clandestinas em residências e comércios foram regularizadas, além da recuperação de 259 GWh de energia — quantidade suficiente para abastecer cerca de 95 mil residências durante um ano.
Em números, a Light estima que, a cada 100 clientes atendidos, 36 estão furtando energia, refletindo uma gravidade significativa na sua área de concessão, que inclui bairros como Pavuna, Ramos, Bangu, Guadalupe e Jardim América. Entre as regiões de maior risco, destacam-se também os complexos da Maré e do Alemão, além de Belford Roxo na Baixada Fluminense, que lidera o ranking de furtos na região. Essa prática ilícita contribui para diversos prejuízos, incluindo o escapamento de energia por transformadores, que costuma causar sobrecarga e queima de equipamentos. Somente no período de dezembro de 2025 a abril de 2026, a companhia registrou a queima de 1.102 transformadores, afetando 117 mil clientes por falta de energia.
Os impactos financeiros são expressivos: nos primeiros sete meses de 2026, foram roubados aproximadamente 70 km de cabos de fios elétricos, com prejuízo quase R$ 10 milhões, além de uma estimativa de que a Light gasta cerca de R$ 25 milhões por ano em reparos relacionados aos furtos. A polícia e a prefeitura do Rio de Janeiro firmaram recentemente uma parceria com a concessionária, integrando o sistema de monitoramento de câmeras civitas às ações de combate ao crime. Além disso, há uma colaboração direta com a Polícia Militar para patrulhar áreas recorrentes na rota dos criminosos, buscando prevenir furtos e proteger os sistemas de distribuição de energia.
Até o momento, a luta contra o furto de energia envolve não apenas ações de fiscalização, mas também estratégias de prevenção, dada a complexidade de uma prática criminosa que causa prejuízos econômicos e interrupções de serviço que afetam milhares de moradores. Ainda não há confirmação oficial sobre novas operações ou mudanças na legislação para coibir esse tipo de crime, mas o esforço conjunto demonstra a gravidade da questão na capital fluminense.
O que sabemos?
- A energia furtada no Rio de Janeiro em 2025 poderia abastecer o sistema residencial do Espírito Santo por um ano.
- A Light estima prejuízo de R$ 1,3 bilhão por ano com fraudes e furtos de energia.
- Até agosto, mais de 179 mil ligações clandestinas foram regularizadas e 259 GWh recuperados.
- Nos primeiros 7 meses de 2026, foram roubados 70 km de cabos, com prejuízo de quase R$ 10 milhões.



