Raro trio de furacões no Pacífico é atribuído ao El Niño forte, gerando atenção de cientistas
Fenômeno climático potencializa tempestades e aumenta incidência de furacões simultâneos na região
Um evento incomum ocorre no Pacífico: três furacões avançam ao mesmo tempo. Cientistas relacionam o fenômeno ao El Niño, que aquece as águas oceânicas e favorece a formação de tempestades intensas.
Na quinta-feira (3), um trio de furacões avançava pelo Oceano Pacífico, uma ocorrência considerada rara pelos especialistas. Segundo informações de uma fonte especializada, essa situação incomum foi possível graças ao impacto de um El Niño historicamente forte, fenômeno climático responsável pelo aquecimento anormal das águas do oceano que, por sua vez, favorece a formação de tempestades tropicais intensas.
O furacão Marie ganhou força e se tornou um furacão de categoria 1 na costa da Baixa Califórnia, no México, na quarta-feira (2). A partir de então, alinhou-se atrás dos furacões Karina e Lowell, ambos classificados ainda como de categoria 4, seguindo rumo ao oeste pelo Pacífico. Segundo Julia Cole, cientista do clima da Universidade de Michigan, ao afirmar à agência de notícias AFP: "Ver três ciclones tropicais ao mesmo tempo na região é algo bastante raro."
O furacão Lowell, por sua vez, permanecia a cerca de 725 quilômetros ao sul de Hilo, no Havaí, e a sua intensidade era estimada pelo Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) como de grande furacão, com previsão de manter esse status nos dias seguintes. A mesma fonte alertou para ondas potencialmente perigosas e correntes de retorno na área, especialmente nas ilhas havaianas, que ainda se recuperavam dos impactos do furacão Lala, ocorrido em agosto. Já o furacão Karina, embora tenha perdido um pouco de força, também ainda deveria se manter como furacão nos próximos dias, avançando para noroeste.
O destaque do fenômeno está na multiplicidade de sistemas ativos ao mesmo tempo, o que é incomum na região. Benjamin Kirtman, cientista atmosférico da Universidade de Miami, reforça que o aquecimento das águas é um fator decisivo: "O sistema climático aqueceu significativamente nos últimos 20 anos, e águas mais quentes alimentam a energia dos furacões." Essa condição, ainda, é favorecida pelas alterações atmosféricas provocadas pelo El Niño, que reduzem o cisalhamento vertical dos ventos — ou seja, as mudanças de velocidade e direção do vento conforme se ganha altitude — criando um ambiente ideal para a intensificação dessas tempestades.
Segundo ainda informações obtidas, a presença simultânea de três furacões na região é considerada rara pelos cientistas, representando um perfil de eventos que tem chamado a atenção da comunidade climática mundial. O impacto potencial, além dos perigos naturais, preocupa especialmente as populações das ilhas havaianas, ainda assustadas com os efeitos do anterior furacão Lala. A expectativa é de que esses sistemas sigam suas trajetórias até que percam força ou encontrem condições que os dissipem, mas, por ora, a atenção permanece alta.
O que sabemos?
- Um trio de furacões está ativo no Pacífico na quinta-feira (3).
- A situação é atribuída ao El Niño, que aquece as águas oceânicas e favorece tempestades fortes.
- Marie ganhou força e virou furacão na costa da Baixa Califórnia, no México.
- Karina e Lowell ainda são furacões de Categoria 4, seguindo para oeste.
- Ver três furacões simultaneamente na região é algo considerado raro pelos cientistas.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa
- Olhar Digital fonte especializada


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