Brasil

Descobertos contos inéditos de Ricardo Guilherme Dicke, autor pouco reconhecido

Em apuração ?

Textos do início da carreira revelam uma faceta pouco conhecida do escritor mato-grossense

Desenho do escritor Ricardo Guilherme Dicke
Imagem: Folha de S.Paulo

Contos inéditos de Ricardo Guilherme Dicke, escritores de Mato Grosso, vêm à tona através de uma organizadora recente. O material recupera uma fase experimental do autor, que foi pouco reconhecido nacionalmente.

Um conjunto de contos inéditos de Ricardo Guilherme Dicke, autor nascido na Chapada dos Guimarães e considerado uma figura eclipsada da literatura brasileira, veio a público recentemente, trazendo à tona uma faceta pouco explorada de sua obra. Segundo o organizador do projeto, Rodrigo Simon de Moraes, esses textos, encontrados ao vasculhar o acervo do escritor, representam uma fase inicial de Dicke, marcada por experimentos narrativos e uma forte obsessão com a morte, elementos que antecipam o tom onírico e a prosa densa que caracterizariam sua produção futura.

Ricardo Guilherme Dicke, que faleceu em 2008, é conhecido por uma obra extensa, que inclui romances como "Madona dos Páramos" e o premiado "Deus de Caim", além de uma forte ligação com o Mato Grosso, estado onde nasceu e viveu grande parte da vida. Ainda assim, sua figura permaneceu pouco reconhecida no cenário literário nacional, em parte por sua produção volumosa e distante dos centros culturais tradicionais de Rio de Janeiro e São Paulo. Moraes, que é pesquisador na Universidade de Princeton, destaca que o autor tende a ser "esquecido" por esses fatores, embora filmes e relançamentos recentes busquem resgatar sua importância.

Os contos inéditos chegaram às livrarias no começo deste ano, organizados por Moraes, que explica que a descoberta aconteceu durante a pesquisa de acervo do escritor. Além disso, a obra-prima de Dicke, o romance "Madona dos Páramos", publicado originalmente em 1981, ganhou uma nova edição, buscando ampliar seu alcance e reconhecimento. Dicke, filho de um imigrante alemão suicida e de uma brasileira, viveu também no Rio de Janeiro nos anos 1960, onde tentou estabelecer sua carreira artística dedicando-se exclusivamente à escrita. Segundo Moraes, a dificuldade de manter contato com editoras na época, devido à distância e ao alto custo das ligações, foi um dos fatores que contribuíram para seu isolamento editorial.

Outro aspecto que explica o pouco reconhecimento de Dicke é sua própria escrita, que recusava-se a fazer concessões às tendências mais comerciais ou ao gosto mediado. Seu estilo experimental, repleto de descrições e digressões, especialmente em obras como "Madona dos Páramos", demonstra uma prosa de linguagem densa e fascinante, que ainda não conquistou o público maior. A obra retrata a saga de 12 foragidos pelo sertão do Centro-Oeste brasileiro, numa narrativa marcada pela densidade e pela experimentação, o que, segundo fontes, dificultou sua ampla divulgação na época. Ainda não há confirmação oficial de que os contos inéditos estejam disponíveis para o público, aguardando-se um posicionamento das editoras ou do próprio pesquisador.

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O que sabemos?

  • Contos inéditos de Ricardo Guilherme Dicke foram organizados recentemente.
  • Os textos são do início da carreira do autor, antecipando seu estilo experimental.
  • Dick e foi uma figura pouco reconhecida no meio literário nacional.
  • Ele viveu grande parte em Cuiabá e teve uma carreira marcada por prêmios e dificuldades de publicação.
  • A obra "Madona dos Páramos" foi relançada em 2021, buscando ampliar o reconhecimento.

Fontes

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