Comunidade indígena de Altamira votará pela primeira vez nas eleições 2026
Primeiro pleito eleitoral para os Arara na aldeia Laranjal reforça avanço na inclusão política indígena no Pará
Uma comunidade de 200 indígenas Arara, localizada na aldeia Laranjal, em Altamira, no sudoeste do Pará, terá sua estreia na votação eleitoral neste domingo (4). A iniciativa foi solicitada pela própria comunidade, que anteriormente precisava percorrer longas distâncias para votar.
Na região sudoeste do Pará, uma novidade marcará as eleições de 2026: pela primeira vez, uma comunidade indígena será oficialmente incluída no processo eleitoral do estado. A aldeia Laranjal, lar de cerca de 200 indígenas Arara, recebeu uma seção eleitoral criada exclusivamente para permitir que seus integrantes exerçam seu direito ao voto. Segundo informações obtidas junto à Justiça Eleitoral, a solicitação partiu da própria comunidade, que anteriormente enfrentava dificuldades logísticas para votar, muitas vezes tendo que percorrer longas distâncias para chegar aos locais de votação.
De acordo com a fonte, o transporte das urnas eletrônicas até a Laranjal envolveu uma operação de logística robusta, já que a comunidade está a aproximadamente 150 quilômetros de carro de Altamira, mais uma hora de barco além do deslocamento terrestre. Além da aldeia, outras regiões também receberam atenção especial na distribuição das urnas, como as comunidades ribeirinhas Gabiroto e Manelito, localizadas nas Reservas Extrativistas do Xingu e Iriri, onde o transporte foi feito preferencialmente por helicóptero para evitar longos dias de viagem por barco.
Para a realização da operação, o Tribunal Regional Eleitoral do Pará utilizou uma frota diversificada composta por 7.786 veículos terrestres, 1.203 embarcações, sete aviões e seis helicópteros. A prioridade foi garantir que as urnas chegassem com antecedência às regiões mais remotas do estado, incluindo áreas rurais, quilombos e aldeias indígenas. Segundo um representante da Justiça Eleitoral, o objetivo maior sempre foi assegurar o direito de voto de todos, independente das dificuldades logísticas, reforçando o compromisso com a inclusão de grupos muitas vezes marginalizados no processo democrático.
Além da aldeia Laranjal, estavam programadas entregas em várias outras localidades da 18ª Zona Eleitoral de Altamira, que abrange também Vitória do Xingu e Brasil Novo. Conforme dados oficiais, mais de 400 urnas foram distribuídas nessas áreas, distribuídas em 58 aldeias indígenas, 95 quilombos, 944 localidades ribeirinhas e 2.480 áreas rurais. Os procedimentos de logística incluíram o transporte por veículos terrestres, embarcações e transporte aéreo pontual, voltado a assegurar o funcionamento adequado e antecipado das seções eleitorais rurais e indígenas. Ainda segundo a mesma fonte, um avião de pequeno porte foi utilizado para levar urnas às comunidades do Assurini, na outra margem do rio Xingu, assim como para as vilas Cabocla e Canopus, próximas a São Félix do Xingu, garantindo agilidade no deslocamento dos equipamentos e dos técnicos responsáveis pela instalação das urnas.
O trabalho de distribuição, coordenado por servidores da Justiça Eleitoral, enfatizou a importância de preservar o direito democrático às populações tradicionais, muitas das quais vivem em condições de acesso complicado. João Martins, um dos envolvidos na operação, afirmou: “Nosso principal interesse é garantir o direito ao voto. Para que nada atrapalhe, a gente faz esse trabalho com mais atenção”. Ainda não há confirmação oficial se todas as urnas atenderão às expectativas ou se ocorrerão eventuais ajustes, já que o processo está em andamento e o próprio clube eleitoral ainda não se pronunciou oficialmente a respeito desse resultado.
O que sabemos?
- A comunidade indígena Arara da aldeia Laranjal irá votar pela primeira vez nas eleições 2026.
- A seção eleitoral foi criada a pedido da própria comunidade.
- Transportes envolveram veículos terrestres, embarcações, aviões e helicópteros.
- Mais de 400 urnas foram distribuídas em várias áreas remotas do Pará.
- Operação de distribuição priorizou regiões rurais e indígenas, garantindo o direito ao voto.
Fontes
- G1 imprensa





