Cheias no RS deixam quase 500 pessoas fora de casa na Fronteira Oeste
Rio Uruguai em Uruguaiana atinge nível de inundação e provoca deslocamentos
Com a elevação do nível do Rio Uruguai, centenas de moradores de Uruguaiana precisaram abandonar suas residências devido às enchentes, que ainda continuam a subir, mantendo o alerta máximo realizado pelas autoridades.
Moradores de Uruguaiana, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, seguem enfrentando os efeitos das fortes enchentes causadas pelo transbordamento do Rio Uruguai. Segundo fontes da Defesa Civil estadual, quase 500 pessoas tiveram que deixar suas casas nas últimas semanas, com o nível do rio atingindo 1,30 metro acima da cota de inundação na manhã desta quarta-feira. Uma moradora aposentada, Eva Maria Farias, revelou que esteve na casa dela ainda hoje e ficou comovida ao ver a água alcançar quase um metro de profundidade. Ela contou que prefere permanecer na barraca onde está hospedada com familiares, ao invés de ir a um abrigo, por questões de privacidade e por estar mais próxima de sua residência, que ainda está habitável, mas alagada.
Eva e outras pessoas em situação semelhante têm que reorganizar sua rotina enquanto a cheia não arrefece. Rosa Maria Minho Viana, residente na mesma região, vive em uma barraca montada por ela mesma, ao lado de uma residência que, assim como a de Eva, foi parcialmente invadida pela água. Rosa convive com enchentes há anos na região e contou que mora na área praticamente desde que nasceu. Ela divide o espaço com o filho, que necessita de acompanhamento contínuo, enquanto a filha, o genro e um neto organizam as refeições em outra estrutura próxima.
Outra família afetada é a de Rosicler Soares da Silva, que está em um abrigo desde o dia 6 de outubro. Ela, o marido e suas três filhas — incluindo gêmeas de três meses, que nasceram prematuras — tiveram que deixar suas residências devido à maior enchente deste ano, que deixou a água a pouco menos de um metro na casa deles. Rosicler afirmou que, apesar do susto e da troca de rotina, as gêmeas continuam dormindo bem durante a noite, acordando apenas na hora de mamar. Segundo ela, o nível do Rio Uruguai deve continuar subindo nas próximas horas, agravando a situação de quem ainda tenta permanecer em suas casas.
De acordo com o Serviço Geológico do Brasil, o aumento das águas deve se manter em cidades como São Borja, Itaqui e Uruguaiana, mantendo o alerta vermelho da Defesa Civil até a próxima terça-feira, dia 13. Ainda não há confirmação oficial sobre previsão de queda dos níveis, o que preocupa os moradores e as autoridades locais, que aguardam por uma melhora na situação. Cabe destacar que a região acumula um histórico de enchentes recorrentes, agravadas por mudanças climáticas, o que torna comum moradores conviverem com desabrigamentos frequentes — uma realidade que neste ano voltou a se repetir com intensidade.
Enquanto isso, os relatos continuam a indicar o impacto profundo dessas cheias na vida das pessoas, que lutam para proteger suas famílias e seus bens em meio à força das águas. Ainda não há uma estimativa exata de quantas retornaram às casas ou permanecem em abrigos, mas a situação é de forte vigilância, com as equipes de defesa civil monitorando de perto as ondas e orientando a população sobre os riscos e precauções necessárias nesta fase de cheia que ainda não deu sinais de recuo.
O que sabemos?
- Quase 500 pessoas estão fora de casa na região da Fronteira Oeste devido às enchentes.
- O nível do Rio Uruguai em Uruguaiana está 1,30 metro acima da cota de inundação.
- Moradores relataram que a água atingiu quase um metro em suas residências.
- O nível do rio deve continuar subindo nas próximas horas, segundo o Serviço Geológico do Brasil.
- O alerta vermelho da Defesa Civil estadual segue ativo até terça-feira, dia 13.
Fontes
- G1 imprensa




