Por que Anita Garibaldi foi enterrada sete vezes? Conheça sua história e os detalhes do episódio
A trajetória de uma heroína que marcou a história do Brasil e da Itália, e os motivos por trás das múltiplas sepulturas
Anita Garibaldi, figura emblemática na luta pela independência, foi enterrada sete vezes ao longo de sua vida e após a morte, devido a acontecimentos históricos, políticos e até episódios envolvendo seu corpo. Veja os fatos e os mistérios que envolvem essas transferências de sepultura.
Anita Garibaldi, uma das figuras mais emblemáticas da história do Brasil e da Itália, foi enterrada sete vezes ao longo de pouco mais de oito décadas, um fenômeno incomum e cercado de explicações que ainda geram curiosidade. Segundo fontes ainda não confirmadas oficialmente, o motivo dessas múltiplas sepulturas está ligado ao contexto político, às dificuldades de identificação e às ações de grupos envolvidos na proteção de seu cadáver após sua morte, ocorrida em 4 de agosto de 1849, na Itália.
A brasileira Ana Maria de Jesus Ribeiro nasceu em Morrinhos, região de Laguna, Santa Catarina, em 30 de agosto de 1821. Aos 14 anos, casou-se com Manuel Duarte de Aguiar, mas esse casamento não durou muitos anos. Em 1839, ela conheceu Giuseppe Garibaldi, italiano que se tornaria seu grande amor e companheiro nas batalhas pela unificação da Itália. O relacionamento deles foi marcado por uma ligação forte tanto na vida quanto na luta armada. Com seus três filhos, ela deixou a América do Sul em 1847, após uma série de perdas, incluindo a morte precoce de uma filha, Rosita. O casal estabeleceu-se na Itália, em Nizza, e passou a atuar nas ações pelo movimento de unificação, que então mobilizava várias regiões italianas.
Foi nesse contexto de conflito e fuga que Anita veio a falecer, semanas antes de completar 28 anos. Segundo relatos, ela morreu na Fazenda Guiccioli, em Mandriole, próxima de Ravena, enquanto acompanhava Giuseppe, que fugia das tropas austríacas. Estava grávida de cerca de seis meses e, possivelmente, sofria de malária. Sua morte ocorreu às 19h45 de uma noite de agosto, e, devido às turbulências do momento, seu corpo foi sepultado às pressas e longe da sede da fazenda, na noite da própria morte, sob a supervisão de trabalhadores que o colocaram em uma cova rasa no campo conhecido como Mote Della Pastorara. Giuseppe Garibaldi, por sua vez, não conseguiu estar presente, pois tinha que continuar a fuga. Ele teria pedido que Anita tivesse uma despedida digna, mas as circunstâncias impediram essa homenagem adequada naquela noite.
Dias após seu sepultamento, uma menina que brincava no local percebeu uma mão emergindo da terra, o que levou as autoridades a investigarem o corpo. Após uma necropsia, foi confirmada a presença de restos pertencentes a uma mulher grávida de aproximadamente seis meses, embora sua identidade não tivesse sido oficialmente confirmada na época. Como medida de segurança, autoridades decidiram sepultar novamente seu corpo, agora no Cemitério de Santo Alberto, em Mandriole, em 11 de agosto de 1849. Nesse momento, ela foi considerada uma mulher desconhecida, o que gerou suspeitas de que a sepultura pudesse ser violada por adversários políticos, devido às ações de grupos ligados a Giuseppe Garibaldi.
Para proteger os restos mortais, os garibaldinos, liderados por Francesco Manetti, decidiram retirar clandestinamente os restos do túmulo e ocultá-los em um terceiro local. Ainda assim, essa tentativa de manter o segredo não durou, e posteriormente, os restos de Anita foram transferidos diversas vezes, alimentando um mistério que persiste até hoje. Ainda não há confirmação oficial do motivo exato de todas essas transferências, e o episódio permanece envolto em relatos históricos que ainda aguardam confirmação por novas pesquisas ou fontes adicionais.
O que sabemos?
- Anita Garibaldi foi enterrada sete vezes ao longo de sua vida e após a morte.
- Ela morreu em 4 de agosto de 1849 na Itália, com cerca de 28 anos.
- Seu corpo foi inicialmente sepultado às pressas no campo devido às condições de conflito.
- Foi descoberta que o corpo era de uma mulher grávida de aproximadamente seis meses.
- Autoridades e grupos armados moveram os restos mortais várias vezes para protegê-los.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada





