Brasil

Angeli celebra 70 anos com legado de crítica ácida nos quadrinhos brasileiros

Em apuração ?

Cartunista paulistano marca cinco décadas de carreira com personagens icônicos e presença histórica na Folha de S.Paulo

Cartunista Angeli em traço característico
Imagem: Folha de S.Paulo

Arnaldo Angeli Filho, conhecido como Angeli, completa 70 anos nesta segunda-feira (31). Com uma trajetória que ultrapassa cinco décadas, o cartunista se destacou por personagens como Rê Bordosa e Bob Cuspe, além de uma produção diária intensa até a aposentadoria, anunciada após diagnóstico de afasia.

Nesta segunda-feira (31), Arnaldo Angeli Filho, o Angeli, completa 70 anos, celebrando uma carreira que se estende por cinco décadas dedicadas aos quadrinhos brasileiros. Nascido em 1956, na cidade de São Paulo, o cartunista é conhecido por sua capacidade de traduzir em traços ácidos e bem-humorados as transformações políticas e sociais do país. Criador de personagens que se tornaram referências no universo dos cartuns, como Rê Bordosa, Bob Cuspe, Wood & Stock e os Skrotinhos, o artista é um nome essencial para compreender o desenvolvimento da charge nacional.

Angeli iniciou sua trajetória na Folha de S.Paulo em 1973, com sua primeira obra publicada no então jovem jornal. Dois anos depois, em 1975, aos 19 anos, recebeu indicação direta da cartunista Hilde Weber — ex-mulher do jornalista Claudio Abramo, diretor de Redação da Folha na época — para se tornar cartunista fixo do veículo, estreitando uma relação que renderia uma produção diária por cerca de 33 anos. Durante esse período, Angeli era responsável por tirar várias charges diárias para a Ilustrada, caderno cultural da Folha, atividade que revelou sua disciplina e paixão pelo ofício.

Apesar do ritmo intenso, Angeli já reconhecia as dificuldades inerentes ao trabalho. Em entrevista de 2015, afirmou: “Tem horas que eu tremo, porque não consegui fazer aquilo que me propus. Mas acho até que eu gosto um pouquinho de sofrer”, evidenciando o compromisso com a qualidade e a crítica que caracteriza sua obra. Em 2016, após mais de três décadas de produção diária, decidiu aposentar-se oficialmente, embora tenha continuado a colaborar esporadicamente com o jornal até hoje.

A decisão pela aposentadoria teve relação direta com o diagnóstico de afasia, doença neurodegenerativa que afeta a capacidade de comunicação. Mesmo assim, nos últimos quatro anos, Angeli mantém uma presença mensal na seção Quadrão da Folha, contribuindo com publicações que relembram seu traço único e seu olhar crítico sobre a sociedade.

A carreira de Angeli manifesta um importante cruzamento entre o humor gráfico e o contexto político do Brasil, sempre permeada por personagens que são, ao mesmo tempo, caricaturas sociais e símbolos culturais. Acompanhando as mudanças do país desde os anos 1970, sua obra oferece uma janela para entender como o cartum pode atuar como instrumento de crítica e reflexão. Seu aniversário, portanto, é um momento para revisitar uma produção densa e emblemática na cultura brasileira recente.

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O que sabemos?

  • Angeli completa 70 anos em 31 de julho de 2023.
  • Iniciou na Folha de S.Paulo em 1973 e se tornou cartunista fixo em 1975, aos 19 anos.
  • Produziu diariamente para o jornal por 33 anos, até 2016.
  • Aposentou-se após diagnóstico de afasia, mas contribui esporadicamente desde então.

Fontes

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