Agricultor morre após suposto choque de peixe elétrico em açude no Tocantins
Morte de trabalhador na região do Bico do Papagaio suscita cuidados com espécie conhecida por gerar descargas potentes
Um agricultor de 54 anos morreu ao limpar um açude em Sampaio, tocando em um peixe elétrico conhecido como poraquê, na última quarta-feira. A suspeita é de que uma descarga elétrica tenha sido a causa do incidente, que reforça a preocupação sobre a presença dessa espécie na região.
Na última quarta-feira (16), um agricultor de 54 anos perdeu a vida durante uma atividade de limpeza em um açude localizado em Sampaio, na região do Bico do Papagaio, no Tocantins. Segundo informações ainda não confirmadas oficialmente, a hipótese mais considerada pelas autoridades é de que o trabalhador tenha recebido uma descarga elétrica de um peixe conhecido como poraquê, espécie que habita águas doces da Amazônia e pode atingir até 2,5 metros de comprimento.
De acordo com o biólogo Hugo Buratti, que foi ouvido pelo portal G1, o poraquê é conhecido por emitir descargas elétricas que variam entre 300 e 860 volts. Ele explicou que essas descargas não funcionam como uma corrente contínua, mas sim como pulsos rápidos de eletricidade, de duração de milissegundos ou segundos, que podem acontecer de forma repetitiva. O especialista destacou que, embora essas descargas não tenham potencial de matar humanos diretamente, elas provocam fortes contrações musculares e dormência, além de um estado de atordoamento no corpo. "A descarga do peixe elétrico não causa a morte do indivíduo, mas sim, o deixa atordoado. O que pode resultar na morte por afogamento e não pela descarga elétrica em si", afirmou Buratti.
O peixe elétrico, popularmente conhecido como enguia-elétrica, é comum na Amazônia e, segundo a mesma fonte, sua capacidade de gerar eletricidade é proporcional ao seu tamanho e espécie. O nome da espécie, derivado do tupi antigo ‘porakê’, significa 'o que faz dormir' ou 'o que entorpece', referência aos efeitos das suas descargas. Ainda segundo o biólogo, cerca de 250 espécies diferentes de peixes elétricos já foram registradas, sendo o poraquê a maior entre elas, podendo atingir 2,5 metros de comprimento. Apesar de sua aparência, o peixe não possui escamas e utiliza a eletricidade principalmente para defesa, captura de presas, navegação em águas turvas e comunicação com outros indivíduos.
O uso de proteção como botas ou calçados especiais, por exemplo, não é garantia de segurança contra as descargas, pois a eletricidade circula pela água e pode encontrar outros caminhos para atingir o corpo da pessoa. Por essa razão, o especialista recomenda que regiões conhecidas por abrigar o peixe sejam evitadas e reforça cuidados essenciais: não entrar em águas turvas, profundas ou com correnteza forte; evitar áreas próximas a troncos, galhadas e vegetação densa; não mexer em tocas, margens ou vegetação submersa. Crianças devem permanecer sob supervisão constante nesses locais.
A morte do agricultor, segundo as fontes, reforça a necessidade de atenção e prevenção, embora ainda não haja confirmação oficial do que exatamente causou o óbito. A Polícia local informou que a suspeita é de que o impacto tenha sido provocado por uma descarga do peixe, mas aguarda avaliações técnicas para confirmar a causa do acidente. A comunidade e especialistas ressaltam que, mesmo sem risco de morte imediato, os perigos associados às descargas elétricas de peixes como o poraquê são reais, principalmente devido à possibilidade de acidentes fatais por afogamento.
O que sabemos?
- Um agricultor de 54 anos morreu após acidente enquanto limpava um açude no Tocantins.
- A suspeita é de que uma descarga elétrica de um peixe poraquê tenha causado o óbito.
- O poraquê é uma espécie de peixe elétrico que habita rios da Amazônia, podendo atingir 2,5 metros de comprimento.
- Ele emite descargas de 300 a 860 volts através de pulsos rápidos, usados para defesa, captura de presas, navegação e comunicação.
- A morte reforça a necessidade de cuidados ao entrar em regiões onde essa espécie é comum, embora a causa oficial ainda não tenha sido confirmada.
Fontes
- G1 imprensa





